REFLEXÃO – Tolerância e consenso – por Adão Cruz

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Como não sou a favor da tão propalada tolerância, que parece um termo eticamente atraente mas pode ser uma palavra injusta, já que quem tolera se pode sobrepor, verticalmente, ao que é tolerado, também não sou a favor do consenso pelo consenso. A tolerância não é mais do que uma virtude passiva se não aceitar o outro e a diferença. Na democracia dialógica as relações são ordenadas pelo diálogo e não pela posição.

Também não sou a favor do consenso pelo consenso, especialmente quando este significa o acordo acima de tudo, a subalternização da diferença, o patamar acima das consciências, a posição acomodatícia, a hipocrisia, a cobardia, o marasmo, a desistência, a segurança dos inseguros, a roda desdentada que rola bem mas nada produz.

Exigir o consenso pode significar não deixar o outro falar, fechar o espaço para o diferente, acabar com o diálogo onde ele devia começar. Nas entranhas do consenso pode a liberdade exalar o seu último suspiro. Sou dos que pensam que a ética, podendo não ser incompatível com o consenso, está na luta, na discussão e no direito de ser minoria.

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