EDITORIAL –  GRÉCIA:  QUE FAZER?

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A vitória do Syriza nas eleições de ontem põe um problema muito grande à direita europeia. É visível nos comentadores a ela afectos um colar a posições inflexíveis, de modo a encostar Tsipras e os seus aliados à parede. Do tipo: ou mudas de posições, ou vamos para a guerra. Portanto, ou te rendes, ou vamos arrasar tudo. A arma principal é a dívida: tens de a pagar todinha, sem reestruturações de espécie alguma. Senão, o teu povo pagará caro a brincadeira de te ter eleito, contra a nossa vontade.

Fica assim ainda mais claro o papel fundamental da dívida pública dos estados nacionais: mantê-los bem sujeitos aos credores. As facilidades que têm sido concedidas aos bancos, e que vão ser reforçadas com a big bazooka de Mario Draghi, vão permitir que aumentem ainda mais o controlo que já exercem sobre a economia, e assim continuarem a dirigir a vida das nações. O objectivo é continuar a diminuir o custo do trabalho, em todos os seus aspectos, e influenciar as políticas nacionais e comunitária, de modo a criar o maior numero que possível de oportunidades de negócio, através de privatizações, fusões, ofertas públicas de aquisição e outras manobras. Isto quando não contam com aliados inesperados, como o estado islâmico, o sionismo ou outras seitas religiosas.

No meio disto, o que pode fazer Tsipras? A aliança com um partido de direita independente poderia compreender-se com facilidade, se não fosse a volubilidade habitual na vida política grega. Claro que Tsipras tem que correr riscos, e em princípio quanto mais alianças conseguir, melhor para ele e para os gregos. Do seu êxito ou inêxito dependem muitas coisas, e não só na Grécia.

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