Letra e música: Alberto Janes
Arranjo: José Fontes Rocha
Intérprete: Fernando Machado Soares* (in LP “Serenata”, Philips/Polygram, 1988; CD “Fernando Machado Soares”, Philips/Polygram, 1988)
[instrumental]
Não sei… Não sabe ninguém Porque canto o fado Neste tom magoado De dor e de pranto; E neste tormento, Todo sofrimento, Eu sinto que a alma Cá dentro se acalma Nos versos que canto.
Foi Deus Que deu voz ao vento, Luz ao firmamento E deu o azul às ondas do mar; Foi Deus Que me pôs no peito Um rosário de penas Que eu vou desfiando e choro a cantar.
Pôs as estrelas no céu, Fez o espaço sem fim,
Deu o luto às andorinhas
Ai… e deu-me esta voz a mim.
Se canto…
Não sei o que canto:
Misto de ventura,
Saudade, ternura
E talvez amor;
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor.
Foi Deus
Que deu luz aos olhos,
Perfumou as rosas,
Deu oiro ao sol e prata ao luar;
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que eu vou desfiando e choro a cantar.
Fez poeta o rouxinol,
Pôs no campo o alecrim,
Deu as flores à Primavera
Ai… e deu-me esta voz a mim.
[instrumental]
Deu as flores à Primavera
Ai… e deu-me esta voz a mim.