AS LUVAS VERMELHAS DAS MULHERES DE LIMPEZA DA GRÉCIA, DEPOIS DE MESES E MESES DE LUTA, RECEBIDAS PELO MINISTRO DAS FINANÇAS por clara castilho

De punho erguido, luva encarnada, foi assim que se manifestaram e não desistiram da sua luta. Eram 600. Chamaram-lhes “A revolta das mulheres de limpeza na Grécia”. Foi um protesto que apanhou de surpresa os políticos tradicionais de antes das eleições.

O seu trabalho é dos que ninguém quer fazer. Chegaram à meia-idade depois de tudo terem feito na vida até não terem mais opção, pago por 500 euros por mês, em média. Julgavam-no seguro, dado que trabalhavam para o estado. Julgavam que não seriam despedidas. Julgavam que tinham direito à segurança social. Julgavam que tinham direito a assistência médica.10941915_10202330604505441_6824489415993915841_n

Com a crise, com a troika, eis que o Ministério das Finanças achou que, para poupar, devia despedir 15 mil funcionários. Logo à cabeça as seiscentas mulheres que limpavam repartições de Finanças pelo país. Os serviços deixaram de ser pagos? Não, contrataram empresas externas. Como se poupa? Porque, certamente, nestas se paga menos e se trabalha mais!

Só que estas 600 mulheres organizaram-se e fizeram barulho! Levaram com a polícia em cima, até a Amnistia Internacional denunciou a situação. Foram para tribunal que lhes deu razão. Foram reintegradas? Não, não fosse a troika considerar que o estado estava a ser mole e  recorreu de decisão judicial directamente no Supremo Tribunal grego – cujos juízes ele próprio nomeia.

E o seu símbolo? A luva vermelha!

Ontem, o Ministro das Finanças, Varoufakis, abriu-lhes a porta quando foi tomar posse.

“Lutámos durante 19 meses, uma batalha cansativa, frustrante e com muitos problemas. O que agora sentimos é reconhecimento por aquilo que passámos durante estes meses”, afirma uma empregada (euronews, 28.1.15)

 

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