A Grécia do Syriza vem, de repente, revelar que o problema da UE é a Alemanha de Merkel. É como aquele homem rico da parábola de Jesus, o do Evangelho de Lucas (16, 19-31), 1.º volume, que “se veste de púrpura e linho fino e faz todos os dias esplêndidos banquetes.” Não houvesse mais ninguém sobre a terra e não viria daí grande mal ao mundo. Mas há. Sempre haverá. Nenhum ser humano, nenhum povo, é uma ilha. Somos, porque a relação ao modo dos vasos comunicantes, nos mantém no ser. Quanto mais relação ao modo dos vasos comunicantes, mais vida de qualidade e em abundância. De contrário, sucedem-se as violências, a invasão das ideologias, das religiões, dos conflitos armados, nucleares, as doenças de todo o tipo. A Terra, de potencial paraíso, torna-se no pior dos cancros, onde ninguém é reconhecido, acolhido, amado. Todos se odeiam, roubam, devoram. Diz a parábola – e a realidade do dia-a-dia europeu, mundial – que “um pobre, chamado Lázaro (mais de dois terços da humnidade) jaz ao seu portão, coberto de chagas. Bem deseja saciar-se com o que cai da mesa do rico; mas são os cães que vêm lamber-lhe as chagas.” E acrescenta: Um intransponível abismo separa os grandes interesses financeiros, representados pela Alemanha de Merkel, e os povos da UE, da Terra, e impossibilita a benéfica circulação das pessoas, dos povos, com tudo o que somos e temos para benefício uns dos outros. De modo que não há vida de qualidade e em abundância. A própria UE é, hoje, uma estúpida sigla, sem qualquer conteúdo político, humano. O exemplo acabado de um tipo de mundo onde nascer-crescer-viver é o maior dos suplícios de Tântalo. Vivemos rodeados de bens, potencialidades, meios de chegarmos uns aos outros, mas sempre à míngua de tudo. As leis do Mercado são impiedosamente ferozes, assassinas. Só que duma Guerra financeira como a que está em curso, também na UE, sob o comando da Alemanha de Merkel, não haverá sequer sobreviventes. É o extermínio que queremos?!