EDITORIAL – “O Reviralho” – A Revolução de Fevereiro de 1927

logo editorialHoje, damos tréguas à Grécia, ao Syriza e a Alexis Tsipras,  à preocupante situação na Ucrânia, a Paulo Portas, às escutas telefónicas e aos submarinos, ao colapso da urgências hospitalares, às declarações de Mário Soares e à oca pesporrência  da ministra da Justiça. Hoje, neste diário de bordo, homenageamos a memória dos «reviralhistas» que no Porto e em Lisboa tentaram impedir que a noite caísse sobre a Pátria. Como disse o poeta  – há sempre alguém que diz não.

Menos de oito meses antes dera-se o pronunciamento de 28 de Maio de 1926, golpe militar que não teve de imediato a carga negativa que historicamente viria a assumir. Portugal era designado na imprensa estrangeira como «o pequeno México», aludindo-se às frequentes revoltas que agitaram o País nos dezasseis anos que durou a I República. Mesmo os republicanos estavam saturados do clima de instabilidade, das frequentes revoltas, das bombas, dos duelos de artilharia, dos assassínios,  das mudanças de governo, das greves e dos assaltos a armazéns de bens de primeira necessidade. O 28 de Maio parecia ser uma tentativa «para pôr a casa em ordem». Mas depressa se entendeu que não se tratava de uma mera arrumação. A direita católica, reaccionária, facções monárquicas , gente entusiasmada com as notícias que vinham de Itália e, sobretudo,  as grandes famílias detentoras de indústrias, mancomunavam-se para instalar um «clima de ordem» – era a longa noite salazarista que íria manter-se por quase meio século. O Reviralho foi o primeiro sinal de que nem todos iriam docilmente aceitar a tirania.

Em 3 de Fevereiro de 1927, foi desencadeado no Porto um amplo movimento republicano e democrático, civil e militar, contra a Ditadura. A Revolta de Fevereiro de 1927, por vezes também referida como o «Reviralho« ou Revolução de Fevereiro de 1927, foi uma rebelião militar que ocorreu entre os dias 3 e 9 de Fevereiro de 1927. Porém, uma descoordenação entre os comandos revolucionários das duas cidades, condenou o movimento ao insucesso – no dia 7, no Porto o movimento agonizava enquanto que em Lisboa atingia o auge. Mas esse desfasamento, permitiu ao governo gerir a actuação das suas forças, concentrando-as no Porto e deslocando-as depois para a capital. Em cada uma das cidades, uma centena de mortes e centenas de feridos. A ameaça de fuzilamento sumário dos civis que fossem encontrados armados, que já fora feita no Porto, cumpriu-se em Lisboa: no dia 9, junto ao chafariz do Largo do Rato, vários civis e marinheiros foram executados por fuzilamento.

Hoje, cai sobre nós um crepúsculo que pode anunciar a noite. O pretexto é sempre o mesmo – «pôr  a  casa em ordem». A casa deles. a ordem deles. A nossa noite.

 

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