Adaptação de um artigo publicado no Estrolabio (CL)
Há tempos recebi por e-mail uma mensagem muito interessante escrita por um professor (José Ricardo Costa). «A Idade das Trevas», foi o título dado. Com a devida vénia, transcrevo alguns excertos, resumindo o restante. Diz ele que ao ajudar o filho a preparar um teste de História e ao estudar a Idade Média, em que «a nobreza vivia fechada sobre si própria», usufruindo dos privilégios que criava, recordou que os nobres se relacionavam entre si, casavam entre si, frequentavam os mesmos castelos, participavam nas mesmas festas e banquetes… E chega à conclusão, curiosa no mínimo, de que em Portugal, há décadas dominado pelo PS e pelo PSD, se verifica uma feudalização da sociedade, bem como uma organização cada vez mais endogâmica.
E um bom exemplo dessa endogamia, diz «é o casamento entre a filha de Dias Loureiro, amigo íntimo de Jorge Coelho, e o filho de Ferro Rodrigues, amigo íntimo de Paulo Pedroso, irmão do advogado que realizou a estúpida investigação para o Ministério da Educação e amigo de Edite Estrela que é prima direita de António José Morais, o professor de José Sócrates na Independente, cuja biografia foi apresentada por Dias Loureiro, e que foi assessor de Armando Vara, licenciado pela Independente, administrador da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, que é amigo íntimo de José Sócrates, líder do partido a que está ligada a magistrada Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que está a investigar o caso Freeport, caso onde se tem evidenciado um presidente da Eurojust de seu nome Lopes Mota que, por um acaso da vida, auxiliou essa indefectível democrata e defensora do poder local chamada Fátima Felgueiras. Felizmente que este país tem como ministro da Justiça um Alberto Costa que, a não ser aquela questão das pressões sobre um juiz em Macau, há cerca de 20 anos, pouco ou nada tem feito.» (…) «Talvez isto ajude a explicar o que se passa com a Justiça, a Economia, a Educação» …(e eu acrescento e com a Saúde, e com a Cultura, etc.). José Ricardo Costa termina perguntando «se haverá gente em Portugal a beneficiar com a degradação da escola pública?» Uma pergunta retórica, claro. Perante esta densa teia de «coincidências», só me lembro do «lugar-comum» inventado pelo excelente poeta e jornalista que era Eduardo Guerra Carneiro – «isto anda tudo ligado».
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