A CAMINHO DA GRÉCIA, A CAMINHO DA LIBERTAÇÃO DA EUROPA – A LUTA CONTRA A AUSTERIDADE – 5. ALEXIS TSIPRAS CONSEGUIRÁ CORTAR O NÓ GÓRDIO? por JEAN BONNEVEY.

Falareconomia1

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

europe_pol_1993

A caminho  da Grécia, a caminho da libertação da Europa – a luta contra a austeridade

austerity macht frei

 

5. Grécia: Alexis Tsipras conseguirá cortar o nó górdio?

Para os médias, a extrema-esquerda marxista é uma esquerda radical

logo_banniere

Jean Bonnevey, GRÈCE: ALEXIS TSIPRAS PEUT-IL TRANCHER LE NŒUD GORDIEN? Pour les médias, l’extrême gauche marxiste est une gauche radicale

Revista Metamag, 26 de Janeiro de 2015
tsipras - V

O voto dos Gregos é em primeiro lugar uma bofetada na cara dos  eurocratas de Bruxelas, empregados zelosos de um mundialismo que detesta as nações  e despreza o sofrimento  dos povos. Esta recusa em aceitar  uma política imposta por um poder estrangeiro é uma forte crítica aos os homens políticos nacionais que se deitaram aos pés de Bruxelas. A bom entendedor, viva!!

Contudo a vitória de uma extrema esquerda marxista e a satisfação exuberante de Jean-Luc Mélenchon  leva a pensar que os Gregos ainda não terão chegado  ao extremo dos seus sofrimentos  e ir de mal a pior.

A satisfação dos nossos meios de comunicação social é cada vez  mais  interessante. Vê‑se bem  que a época em que  os marxistas davam o tom e onde todo o “antimarxista era um cão” não está  assim tão longe como isso e, isto  está ainda bem presente em certas cabeças. De resto, só a direita tem um extrema-direita, detestável, enquanto a esquerda, ela, tem  uma tendência radical. Não há pois  uma extrema esquerda mas há sempre uma extrema direita e hop!

Dito isto, todos os que rejeitam uma Europa, que não é nem nacional nem social, sentem-se apoiados objectivamente pela vitória de Syriza. Resta saber o  que este partido vai fazer com a  sua vitória. Queria sair do euro e anular a sua dívida. Parece agora que já não é isso o que quer e que em  seu lugar  prefere antes negociar com o monstro frio de Bruxelas do que cortar  o nó górdio. Enquanto que ele conta com uma facção dura, maoista, trotskista, anti União Europeia, o partido teve que se empenhar fortemente em  não sair nem do euro, nem da União Europeia. É essencialmente o temor de uma saída da Europa (75% dos Gregos defendem a sua  manutenção na UE) que  os tinha feito perder as anteriores eleições.  É principalmente as garantias europeias dadas por Syriza que lhe permitiram ganhar estas eleições. Syriza deixou de meter medo. Arrisca-se portanto  a ser muito rapidamente uma desilusão.  Alexis Tsipras, declarou desejar negociar com a Europa a redução da enorme dívida do país (175% do PIB), dizendo-se “ pronto a cooperar e a negociar (…) uma solução justa, viável e que a todos beneficie”.  Isto anuncia-se bem difícil .

“É impossível que o Banco Central Europeu (BCE) aceite  uma reestruturação dos títulos de dívida grega que estão na sua posse”, avisou desde segunda-feira Benoît Coeuré, membro do directório da instituição, após a chegada ao poder do partido de esquerda radical Syriza. “É absolutamente claro que não podemos aprovar nenhuma redução da dívida que possa tocar  nos  títulos da dívida grega que estão nas mãos do BCE. Isto é  impossível por razões jurídicas”, precisou numa entrevista ao diário económico alemão Handelsblatt. O mandato do BCE proibe-lhe que financie os Estados europeus, o que seria o caso aquando de uma tal operação. A Europa de senhora Merkel está em frente de um problema sério.

A extrema esquerda por muito  pouco que  não ganha a maioria absoluta deverá procurar um pequeno parceiro que deva adocicar um pouco  as abordagens do novo governo.  Syriza, e o partido de direita soberanista  Gregos Independentes ter-se-iam  posto de acordo para governarem  juntos. “Vamos dar um voto de confiança ao novo Primeiro-ministro Alexis Tsipras”, afirmou  Panos Kammenos, o presidente desta pequena formação de direita soberanista.

Deve-se ainda aqui sublinhar  o desaparecimento do Pasok, o equivalente do PS francês, bem embaraçado face a estes resultados, um partido que dominou a vida política grega durante décadas. Compreende-se melhor o entusiasmo de Jean-Luc Mélenchon. O partido da esquerda radical devorou,  literalmente é este o termo, o eleitorado do grande partido histórico Pasok (socialista), que naufragou com uma votação em torno dos  5% depois de ter tido já votações na ordem dos 45%.  Este partido corroído pelo nepotismo, pelo clientelismo e pela corrupção, o Pasok é tido como o  responsável não só da crise que atingiu   a Grécia desde 2010 mas também do drástico plano de austeridade, que reduziu  as pensões de reforma  e os salários, dado que governou até  hoje em coligação com a Nova democracia.

Outro facto  notável, as diferenças políticas entre Syriza e o partido do governo Nova Democracia (direita conservadora) são  mais importantes  do  que o previsto. É uma derrota muito dura para o partido conservador,  um Primeiro- ministro Antonis Samaras que tinha  aplicado o programa de austeridade da União europeia em troca do financiamento da dívida grega, mergulhando o país numa severa recessão  e no desemprego em  massa (25%).

A extrema-direita, e na Grécia  o termo parece mais  uma vez exacto, mantém—se e  torna-se a terceira força política do país, numa altura em que os seus  principais dirigentes  estão na  prisão. Toda a sua direcção e 7 dos seus deputados estão actualmente na prisão, enquanto 70 outros eleitos e militantes esperam vir  a ser julgados por  “pertencerem a  uma organização criminosa”. O partido de inspiração neonazi ou, pelo menos neofascista, obteve  o terceiro lugar destas eleições   muito aguardadas na Europa, obtendo 6,39% dos sufrágios e 17 lugares no Parlamento face ao partido a que chamamos “RIO” um  novo partido de centro esquerda, que obteve  5,77% e 16 lugares de deputados

Aquando das legislativas  de 2012, Aurora dourada tinha obtido 6,92% dos sufrágios (425 981 votos) e 18 lugares no  Parlamento. Um resultado hoje ainda muito importante tendo em conta a situação actual deste partido que é  tratado como um inimigo público de direito comum. Aurora Dourada está em emboscada no caso de malogro da extrema esquerda….oh, desculpem,  da esquerda radical.

Jean Bonnevey, Revista Metamag, GRÈCE : ALEXIS TSIPRAS PEUT-IL TRANCHER LE NŒUD GORDIEN ? -l’extrême gauche marxiste est une gauche radicale

Texto disponível em ; http://metamag.fr/metamag-2612-GR%C3%88CE–ALEXIS-TSIPRAS-PEUT-IL-TRANCHER-LE-N%C5%92UD-GORDIEN–.html

 

Leave a Reply