Nas últimas semanas do Verão de 1939, muitos acreditavam que a guerra seria evitada. Havia quem acusasse de catastrofismo os que denunciavam a iminência do conflito. Em 1 de Setembro, o mundo acordou com a notícia de que as tropas alemãs tinham invadido a Polónia. Mesmo assim, houve quem pensasse que a invasão da Polónia não justificava uma guerra global. Mas as declarações de guerra sucederam-se em catadupa e o mundo mergulhou no mais negro pesadelo de que há registo – 100 milhões de soldados envolvidos, cerca de 70 milhões de mortos, um número gigantesco de estropiados, o holocausto, bombas nucleares…
Mas é muito curioso estudar o comportamento dos grandes empórios industriais e dos grupos financeiros. O negócio nunca parou. Exemplos – o principal fornecedor do exército alemão e que, nas eleições de 1930, financiara 45% da campanha de Hitler, a IG Farben, era controlada pela Standard Oil de Rockefeller. Os Morgans, através da General Electric, eram maioritários na AEG e na Siemens (a GE detinha 30% da AEG em 1933). A General Motors, controlava a Opel. Henry Ford detinha 100% das acções da Volkswagen. O segundo maior monopólio industrial da Alemanha, a Vereinigte Stahlwerke, pertença de Van Thyssen, Flick, Wolff, Vogler e outros, foi criado em 1926 com o apoio da Dillon, Read & Co. de Rockfeller… Os aviões, os carros de combate, todo o equipamento militar que diariamente, durante seis anos, matou civis e soldados do campo aliados era financiado por grupos económicos dos Estados Unidos, Inglaterra, França. No mais aceso da luta, houve reuniões dos grandes magnates americanos, ingleses, alemães. Diz-se que o ambiente era cordial…
Há dias, o secretário-geral aliado Jens Stoltenberg após uma reunião, divulgou a notícia de que a NATO vai criar na Europa de Leste, uma nova força de reacção rápida em resposta à “agressão” da Rússia na Ucrânia. Esta força deve ter a capacidade para responder em apenas alguns dias a qualquer crise emergente” […] “É uma resposta às acções agressivas da Rússia, que violou a lei internacional e anexou a Crimeia- O secretário norte-americano da Defesa Chuck Hagel, reconheceu que a administração norte-americana estava a analisar essa opção, mas que a crise na Ucrânia “não será resolvida por meios militares”. Afirmação que só tranquilizará quem for muito optimista.

Aparentemente anda muita gente ansiosa por atear a fogueira,se isso acontecer vai ser muito mau.
É importante lembrar estes “pormenores” da História, que ainda por aí muita gente esquecida, incluindo uma cáfila de políticos e comentadores (como um tal Bernardo Pires de Lima, do DN, que deve ser da família do aspirante a palhaço que ministra nas economias – pelo menos o tipo de parvoíce é idêntico – que se esgatanha todo a alertar para o perigo dos malvados dos russos) que têm muita tendência para esquecer estes nauseabundos precedentes. Ou, eventualmente, nem os conhecem, que a estupidez navega melhor empurrada pelos desvairados ventos da ignorância.
Não é que eu goste do Putin ou de qualquer outro representante dos “superiores interesses da grande nação_____” (preencher o espaço em branco). Só não quero é ser mexilhão em embates de mares e rochas que mais não são que diferentes factores da mesma procela.
Os russos anexaram a Crimeia (que, por acaso, era deles, desde os tempos de uma tal Catarina, antes do bêbedo do Yeltsin ter transposto para a Ucrânia independente – a troco de quantos barris de vodca não se sabe… – uma gracinha do Krustchev, inócua no contexto em que foi fabricada, de uma URSS sem horizonte de cisões à vista)? E os queridos americanos, não anexaram nada, coitadinhos, directamente ou por interpostos ditadores? Ora, vasculhem lá a história da “grande nação” e vão ver quantas é que encontram! E a Alemanha não está a anexar economicamente os países da Europa debilitados pela mesmo tipo de gente cuja actuação – puramente de negócios, claro! – é idêntica à que o Carlos acima descreve, tentando retomar os trilhos nazis, em veículos mais sofisticados?
Alguém, no seu pleno juízo e com dois dedos e meio de testa, pensa que, com os países bálticos já na OTAN, o Império Russo vai permitir que o Império Americano e os países seus lacaios completem o cerco pelo Sul, com a inclusão do regime fascistóide ucraniano? E fique muito sossegadinho a assistir, seja com o Putin ou qualquer outro que não queira ser corrido em osso até pelo mais miserável dos saudosos do grande império euro-asiático, que nunca deixou de existir, desde Pedro I (também cognominado de Grande)? Mesmo que taralhoucos mais fukuyasnáticos que o próprio Fukuyama continuem convencidos de que a História está a chegar ao fim, atingida que foi a perfeição, com as “democracias” capitalistas e, agora, neoliberais, tão lindinhas, que até se andam a esforçar imenso para reforçar, incrementar, incentivar, alimentar e aquecer os motores daquela coisa.. aaaa… – que até nem existe, no dizer de nazis, fascistas e outros exemplos de “democratas” incompreendidos, como os salazarentos “orgânicos”! – aaaaaaaa… luta de classes? Devem pensar que é milagre divino, já que as obras humanas, seja qual for a sua dimensão, são sempre imperfeitas e… efémeras.