“As Boas Raparigas…”, na boa companhia do encenador Rogério de Carvalho, inscrevem pela primeira vez na programação do Teatro Nacional de São João um nome maior da dramaturgia contemporânea.
Jean-Luc Lagarce foi um homem de teatro que começou por se distinguir como encenador antes de se notabilizar como dramaturgo. É, digamos, um autor póstumo: só depois da morte – em 1995, aos 38 anos – a sua obra começou a ser verdadeiramente descoberta. Nas cerca de vinte e cinco peças que escreveu, revalorizou a narração e a palavra para poder contar o mundo (“a minha parte miserável e ínfima do mundo”), deixando-nos uma multidão de vozes dirigidas prioritariamente ao ouvido do espectador.
Em Music-Hall (1988), uma “Rapariga” – uma atriz do teatro de variedades, acompanhada de dois inseparáveis“Boys” – vai representar a sua pequena história, uma história de errância e de resistência. Music-Hall é uma metáfora a um tempo terna e cruel da precariedade do mundo do espetáculo. Mas também, e sobretudo, um elogio à sobrevivência do gesto artístico, ao teatro, esse lugar onde, representando, se diz “o verdadeiro mais verdadeiro do que o verdadeiro”.
Autoria de Jean-Luc Lagarce, com tradução de Alexandra Moreira da Silva, encenação de Rogério de Carvalho,
cenografia e figurinos de Catarina Barros, desenho de luz de Jorge Ribeiro, sonoplastia de Luís Alyes, asistência de encenação de Carla Miranda, coprodução de “As Boas Raparigas…,” e Teatro Nacional de São João.
Interpretação de António Júlio, Maria do Céu Ribeiro, Paulo Mota.