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É TEMPO DE OS POVOS EUROPEUS DIZEREM NÃO À CORDA QUE A TODOS APERTA O PESCOÇO E OS ASFIXIA. É TEMPO DE GRITAREM: LIBERDADE. UMA VIAGEM POR DIVERSOS PAÍSES É O QUE AQUI VOS PROPOMOS. ESTAÇÃO DE DESTINO, HOJE. ZAGREB. – A CROÁCIA. O FIM DA ESPERANÇA DE UMA MUNDIALIZAÇÃO FELIZ, por MICHEL LHOMME.
É tempo de os povos europeus dizerem não à corda que a todos aperta o pescoço e os asfixia. É tempo de gritarem: Liberdade.
Uma viagem por diversos países é o que aqui vos propomos. Estação de destino, hoje: Zagreb.
A Croácia
O fim da esperança de uma mundialização feliz
Michel Lhomme, LA CROATIE – La fin de l’espoir d’une mondialisation heureuse
Revista Metamag, 14 de Outubro de 2014
Após dez anos de espera, quando a Croácia entrou no 1º de Julho de 2013 na União europeia, o pais esperava uma “mundialização feliz”, estava seguro de que ao aceder “ao grande mercado”, isso lhe iria permitir atrair os investidores estrangeiros e sobretudo que isso para ela poria um fim na recessão que asfixiava o país desde 2008. Um ano após a entrada da Croácia na União Europeia, a situação interna do país praticamente nada terá melhorado. Este pequeno país balcânico de ligeiramente menos de 4 milhões de habitantes tem estado sempre em recessão consecutivamente desde há sete anos e atinge hoje uma taxa de desemprego recorde, já próxima de 17%. Pior ainda, nenhum economista sério prevê uma melhoria da situação para Zagreb, a curto prazo e certos maus jogadores sublinham mesmo que a entrada do país na UE teria agravado a sua situação. Para o governo croata, o acesso aos mercados europeus devia ter ajudado o país a sair da situação de crise. Desde há um ano, não se vê nada melhorar!
O jornal Correio dos Balcãs acaba de informar que a economia informal da Croácia representa quase 30% do seu PIB, o país encontrando-se assim mais próximo das economias dos países da Europa do Leste do que dos seus vizinhos do Oeste, onde este nível não excede os 15%. Na Europa Ocidental, considera-se que a economia informal atinge 10 a 15% do PIB. Lembram-se disso em Zagreb? O primeiro dia da entrada da Croácia na UE foi festejado com numerosos concertos e fogos de artifício. Hoje, os empresários agrícolas croatas estão desencantados. Estavam armados face à concorrência regional. São batidos pela concorrência ao nível europeu. Esperam mais do que as subvenções de Bruxelas para esperar sair do buraco em que se encontram. A União europeia teve êxito em conseguir transformar apenas num ano uma pequena agricultura modesta mas dinâmica numa agricultura de assistidos. Para o Ministro croata dos negócios estrangeiros, Vesna Pusic, a Croácia no entanto bem ter-se-ia adaptado bem no seu primeiro ano na UE. Cita como exemplo a eliminação dos direitos aduaneiros entre a Croácia e os outros Estados-Membros que teria sido benéfica para as pequenas e médias empresas que chegaram por essa via a posicionarem-se de maneira competitiva sobre o mercado europeu.
Por outro lado, é verdade que os Croatas têm agora acesso a comunicações telefónicas menos caras e sobretudo, eles podem viajar para a Europa sem passaporte e com um simples bilhete de identidade. De imediato, que fazem os Croatas? Emigram ainda que para a Croácia o tratado de Schengen seja totalmente efectivo apenas a partir do 1º de Julho de 2015. A Suíça, que se pronunciou por referendo, há cerca de algumas semanas, para uma limitação da imigração, decidiu de resto não assinar um acordo que abre o acesso do seu mercado do trabalho aos Croatas. Esta recusa suscitou vivas reacções a Bruxelas. Os estudantes suíços deixarão de poder beneficiar das bolsas Erasmus, medida de retorsão que atingirá também os estudantes europeus que se preparavam para irem estudar para a Suíça. Certo, a Suíça não é membro da União europeia mas está vinculada por uma série de acordos com os Estados-Membros. Se decidir não aplicar um destes acordos – neste caso o direito de trabalhar em Suíça para os Croatas – todos os outros acordos devem ser renegociados.
Desde 2013, a Croácia beneficiou do maná dos fundos europeus que vem apoiar o seu orçamento anual mas, como indicado acima, a entrada na União está a laminar o sector agrícola. Em 2013, o rendimento agrícola na Croácia caiu de 12,7% em relação ao ano precedente, de acordo com o organismo croata das estatísticas. No mesmo tempo, recuou apenas de 1,2% na União europeia. Ora, a agricultura contava em parte não negligenciável na riqueza criada pelo país. Assegurava o abastecimento alimentar do país. Na agricultura, são sobretudo os criadores bovinos e a produção de leite que foram particularmente afectados. Com efeito, desde o início, a Europa sonhou-se como querendo ser uma Europa sem agricultores, uma Europa desenraizada.
Face às dificuldades económicas do país, o governo croata dirigido por Zoran Milanovic decidiu arregaçar as suas mangas e acaba de criar uma Comissão de Internacionalização que elaborou um plano de acção para ajudar às exportações durante o período 2014-2015. A Croácia sonhava aproveitar da abertura pela sua adesão a um mercado de 500 milhões de pessoas. Mas o investimento estrangeiro é mais que modesto e, era no entanto nele que assentavam as esperanças dos croatas europeístas que têm hoje dificuldade em se justificarem mesmo que desde Julho de 2013 até Julho de 2014, as exportações tenham aumentado cerca de 20%. Com efeito e é uma das consequências da adesão da Croácia à União europeia, a concorrência deixou de ser a mesma. A entrada na UE fez entrar na Croácia os produtos alimentares das grandes empresas alemãs ou francesas que estavam até aí pouco presentes. Os preços ao consumidor caíram embora em margens baixas mas os produtores locais não podem acompanhar essa queda mesmo que tenha sido baixa. No sector dos produtos lácteos, o fim das quotas em 2015 será de resto o último golpe de graça para os agricultores Croatas.
Os europeístas croatas elogiam-se também da entrada do seu país na carta energética europeia. E aí, reencontra-se como por toda a parte noutros lugares, a chantagem ecológica. Quando era candidata à integração à UE, a Croácia fazia figura de aluno exemplar em matéria de ecologia. O seu plano de acção a favor das energias renováveis era considerado mesmo como um dos únicos planos credíveis que estavam a ser propostos. Simplesmente, Zagreb nunca aplicou realmente o seu programa. No dia 22 de Julho passado, Bruxelas enviou à Zagreb uma primeira advertência que anuncia sanções futuras devido à não transposição, para a ordem legal croata, das directivas ambientais europeias, um atraso – ou uma negligência – que poderá custar-lhe 1,8 milhões de euros. Pode-se assim constatar oficialmente que sobre os trinta projectos previstos no domínio da eficácia energética só um foi lançado! O que confirmam numerosos estudos sublinhando que os poucos efeitos positivos observados no domínio da energia não se devem em nada – ou quase nada – à acção do Estado croata. Permanece igualmente a questão crucial da directiva “eficácia energética”. No âmbito desta directiva, a Croácia deveria ter-se renovado e adaptado às normas cerca de 20% dos edifícios públicos daqui até 2020, dos quais 6% até ao 1º de Janeiro de 2016. Ora, este objectivo que se inscreve no âmbito do pacote “clima-energia”, que desenha aos Estados-Membros objectivos ambiciosos para o horizonte 2020: 20% de economia de energia, redução de 20% da emissão de gases de efeito de estufa em relação aos números de 1990, aumento de 20% da produção de energias renováveis, tudo isto está propriamente fora do alcance para um pequeno país como a Croácia, de que somente 5% da produção de energia provem de fontes renováveis. Zagreb não pode esperar seriamente satisfazer este compromisso. Chamada à ordem pela Comissão sobre o seu plano energético, a Croácia está também na mesma circunstância –em termos de défice orçamental e da regra de ouro comunitária dos 3%.
Nas eleições europeias de Maio, é a coligação conservadora HDZ que ganhou as eleições com 41,2% dos sufrágios contra a Coligação Cocorico no poder que obteve 29,93% de voto com uma participação evidentemente muito fraca de aproximadamente 25% dos eleitores! A Croácia tem 11 representantes no Parlamento europeu dos quais uma deputado verde, Mirela Holy. É de resto a única deputada verde do antigo bloco europeu do leste.
Acontece que a Croácia tem dezenas de milhares de hectares do território nacional infestados por minas de todos os tipos, resultantes do conflito dos anos 90. O país teria decidido desembaraçar-se desse problema mas isso custa caro. A Croácia já teria gasto quase 570 milhões de euros para desminar o seu solo em dezasseis anos. Este montante provem em dois terços do orçamento do Estado mas ao qual os Europeus participam ao nível, até agora, de 31 milhões de euros.
Michel Lhomme, LA CROATIE – La fin de l’espoir d’une mondialisation heureuse, publicado pela revista Metamag,
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