EDITORIAL – Santos e pecadores

Imagem2Jean-Claude Juncker é um político luxemburguês. Foi líder do seu partido, o Partido Popular Social-Cristão, e é um ex-primeiro ministro do seu país. Eleito presidente da Comissão Europeia em 15 de julho de 2014, assumiu o cargo em 1 de novembro de 2014, sucedendo a Durão Barroso. É um homem de direita, um político oriundo de um dos países mais ricos do mundo e, sem dúvida, o mais rico da União Europeia. Se a sua compunção é sincera ou apenas uma jogada, não sabemos. O que disse ontem, é verdade. Fiquemos por aí,

Intervindo ontem no no Comité Económico e Social Europeu, em Bruxelas, afirmou que a Comissão Europeia «pecou». Que “atentou contra a dignidade dos povos, sobretudo em Portugal e na Grécia, e pontualmente na Irlanda”, que a troika é “pouco democrática e lhe falta legitimidade” (…) “devemos revê-la quando chegar o momento”, E concluiu “na altura eu era presidente do Eurogrupo e por isso posso agora parecer estúpido ao afirmar isto”, (…) “é preciso retirar lições da história e não repetir os mesmos erros”. Tudo muito certo e não vamos tecer louvores a esta autocrítica – um político é culpado até que prove a inocência. Mas seja qual for o motivo desta confissão tardia, num momento em que decorrem negociações entre o Eurogrupo e a Grécia, que tem exigido a extinção da troika, esta autocrítica tira o tapete a quem tem defendido a adopção medidas de austeridade que estão a destruir as estruturas sociais e a depauperar de forma dramática os apoios que nos estados menos ricos se prestava aos mais carenciados.  Que estão a destruir o tecido produtivo, a matar pessoas por degradação dos cuidados de saúde. Um crime e não um pecado. O governo português fica mal neste retrato – aparece como o menino zeloso e queixinhas, estúpido e subserviente que procura subir no conceito do professor despótico.

“Pecámos” é uma expressão que branqueia um crime; é aplicar ao plano político e macroeconómico uma expressão que não faz sentido fora do âmbito das pequenas transgressões – um adultério, um taberneiro que põe um pouco de água no vinho, o estudante que copiou o trabalho de um colega… três ave-marias, dois padre-nossos e fica o assunto resolvido. Isto não vai lá com ave-marias. Não é um negócio de sacristia. Senhores do governo – demitam-se, demitam-se e recebam o castigo – vão ocupar os cargos que vos esperam na União Europeia.

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