Ai, o Syriza.
De inicialmente ridicularizado como um grupelho de radicais fora do seu tempo tornou-se central na discussão sobre o papel da governação, a Europa e a soberania dos povos, a economia e a vida das pessoas comuns.
Não, o Syriza não fez a Revolução Socialista com o grande R. À vitória eleitoral não se seguiu a expropriação e nacionalização dos serviços e meios de produção, o fim da propriedade privada, não aconteceu o fim do sistema capitalista.
Depois do choque e pavor iniciais pela “vitória impossível” na Grécia, a direita quis, ardentemente, que o Syriza seguisse o caminho que permitisse apontá-lo como o novo grande satã, o novo exemplo do mal e do perigo a excomungar e isolar, a qualquer custo.
Mas o Syriza não “comeu criancinhas ao pequeno-almoço nem deu injecções atrás das orelhas aos velhos” e apresentou-se civilizado em sede de negociações, pretendendo alterar os termos da dívida mas sem a recusar totalmente, procurando a bolsa de oxigénio de curto prazo que lhe permita respirar fundo e preparar outro futuro.
Surpresa, e incomodada, a direita mudou rapidamente a agulha passando a narrativa a ser a da capitulação total do Syriza que teria afinal aceite todo o contrário do que sempre tinha defendido, rendendo-se à realidade que não havia mesmo alternativa à política de austeridade e corte social, recomendada pela troika germanófila e seguida indistintamente nos países por PP’s ou PS’s.
Apesar desse esforço, a verdade é que a atitude do Syriza lhes provoca urticária e, por mais que o pretendam negar, alterou o discurso, e o debate, europeu sobre a crise e o lugar da governação e da economia na vida das pessoas. Não o querem admitir mas o Syriza fez as pessoas pensar que pode mesmo haver alternativa, que as coisas podem ser diferentes, que não estão condenadas ao eterno purgatório. O direito à cidadania e à felicidade voltaram a fazer parte da política, até aqui reduzida à simples gestão corrente dos interesses financeiros e mercantis. Afinal sempre à vida para além da dívida.
Veremos se é desta que a esquerda tem a capacidade de combinar o sonho com a realidade. Que o risco da desilusão não tolha a acção. Não se deseja uma realpolitik tal que em nome da praxis renegue a parte de utopia que ao longo dos tempos mudou o mundo, mas o realismo de agir tendo em conta a situação concreta das pessoas e sociedades. Por mais puro, é inócuo o infantilismo que prefere viver permanentemente o estado de fantasia a aceitar que as acções concretas têm de fazer concessões à realidade do tempo e do espaço.
O Syriza social-democratizou-se, dizem.
No tempo presente, o reformismo da social-democracia voltou a ser revolucionário.


Muito bem e muito certo. Na realidade, o acordo da Grécia com a direcção do IVReich não teve nenhuma cedência por parte do primeiro e deixou expresso – uma novidade nesta europa colonizada – que em nossa casa mandamos nós – os Gregos – e que tudo far-se-á como entendermos e decidirmos. Com o apoio enorme da População – e duma População capaz de muito mais – para quê chavões dum folclore que, embora gratificantes, nunca resultaram. Antes de tudo o mais, para que a felicidade e o direito à cidadania, com toda a legitimidade, estejam firmes no horizonte de qualquer Nacionalidade, as Soberania e Independência Nacionais não podem sofrer as tergiversações vergonhosas como a nós, depois de nove séculos de História um rapazito meio letrado e um decrépito de nascença têm sabido aceitarCLV