HOMENAGEM A HEITOR VILLA-LOBOS – texto de Luís Rocha

Heitor Villa-Lobos  nasceu num dia 5 de Março. Recorrendo ao nosso arquivo, prestamos-lhe homenagem recuperando um excerto de um  post de Luís Rocha

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Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro em 5 de Março de 1887. Os pais e irmãos tratavam-no por “Tuhu”. Ficou conhecido pela sua caudalosa fecundidade criadora – irremediavelmente tropical.

Aos 16 anos saiu de casa dos seus pais (o pai morreu quando tinha apenas 10) e foi viver com a sua tia “Zizinha” (boa pianista) e do seu avô materno Santos Monteiro, autor de uma famosa Quadrilha de Moças, muito apreciada nos salões do Rio de Janeiro, personagens que foram determinantes no estímulo da vocação musical de Villa-Lobos. Começou por aprender a técnica do violão – denominação brasileira da guitarra espanhola e da viola portuguesa – e a estudar também outros instrumentos ambulantes. Integrou-se num grupo de seresteiros- algo semelhante a uma “escola de samba” dos nossos dias.

Em 1907, escreveu aquela que pode ser considerada a sua primeira composição musical: Os Cânticos Sertanejos. A sua obra é fundamentalmente inspirada no folclore brasileiro, em termos tais que reflectem as vivências do compositor com os “chorões” de tipo popular, as orquestras de Seresteiros que pululavam nas ruas do Rio e nos morros cariocas, com os seus instrumentos típicos – cavaquinho, violão e flauta.

Daí a importância dos seus “Choros” – esta palavra utilizava-se no Brasil para descrever “ um conjunto instrumental que passava ao longo das ruas, interpretando serenatas, durante as horas da noite”. Escreveu 16 Choros que transmitem todo o colorido, graça e ritmo frenético do folclore do seu país-Compôs também nove “Bachianas Brasileiras” que, como o título sugere, têm como fonte inspiradora Bach, o compositor que Villa-Lobos considerava “ o manancial folclórico universal, o intermediário de todos os povos”.

No piano merece destaque a sua obra A Prole do Bebé – evoca os bonecos preferidos das crianças brasileiras: “Branquinha”, “Moreninha”, “Caboclinha”, “Mulatinha”, “Negrinha”, “Pobrezinha”, “Bruxinha” e “Polichinelo” (a clássica personagem da Comédia dell´arte). A última obra de piano de Villa-Lobos, composta por encomenda da UNESCO em 1949, foi uma Homenagem a Chopin, dividida em duas partes “Nocturno” e “Baile”. A sua vasta obra compreende ainda dezasseis Cirandas e as características Saudades das Selvas Brasileiras (1927). Escreveu 12 sinfonias. O tema da luta armada inspirou a 3ª, 4ª e 5ª sinfonias (A guerra, A vitória e A paz). Este tema aparece também reflectido na obra do pintor norte-americano Horace Pippin, abaixo

Também escreveu peças de ópera: A Aglaia e Elisa, Izath, Yerma, baseda no drama homónimo de Garcia Lorca. Seguiu-se a Menina das Nuvens e Magdalena. Na obra para violão destaca-se a Suite Popular Brasileira (que compreende uma mazurca-choro, um scotisch-choro, uma valsa, uma gavota e um chorinho). Em 1923 rumou a Paris onde apresentou as suas primeiras audições do Choros nºs 3,4,8 e 10, o Rudepoema, a segunda série de AProle do Bebé, cinco Serestras, Três poemas Indígenas (canto e orquestra) Na Bahia Tem (coro masculino e capella), cantiga da Roda (coro e orquestra) e o admirável Noneto. Faleceu em 17 de Novembro de 1959, com 72 anos.

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