MULHERES ANÓNIMAS, MULHERES RECONHECIDAS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Todos os anos se evoca a luta da mulher pelos seus direitos. Mulheres anónimas e mulheres conhecidas. Passam-se documentários com depoimentos de mulheres maltratadas, exibem-se gráficos para quantificar o número de mulheres assassinadas. Só se fala da realidade “a mulher maltratada” quando aparece um caso na comunicação social. Hoje promovem-se encontros, concentrações.

O dia da mulher é todos os dias, para o bem e para o mal.

 Mulheres que têm direito ao reconhecimento:

ANA DE CASTRO OSÓRIO, Mangualde 1872-1935, Intelectual, jornalista, ensaísta, conferencista, feminista e republicana, lutadora pela igualdade de direitos. Uma das primeiras escritoras de literatura para a infância em Portugal

 NATÁLIA CORREIA, São Miguel, Ponta Delgada 1923-1993, Escritora, foi deputada na Assembleia da República, a seguir ao 25 de Abril

 FLORBELA ESPANCA, Vila Viçosa 1894 – 1930, poetisa portuguesa.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN, Porto 1919- 2004, esteve desde muito cedo ligada à luta antifascista e, a seguir ao 25 de Abril, foi deputada à Assembleia Constituinte.

PAULA REGO, Lisboa, 1935, pintora portuguesa. Em 1990 foi nomeada a primeira Artista Associada da National Gallery, de Londres.

MARIA DE LURDES PINTASSILGO, Abrantes, 1930-2004, foi a única mulher que desempenhou o cargo de primeiro-ministro em Portugal.

 MATILDE ROSA ARAÚJO, Lisboa, 1921 -2010, escritora especializada em literatura para a infância. É autora de vários livros para crianças e jovens, assim como de livros sobre a importância da Literatura Infanto-Juvenil na formação da criança.

RUTH GARCÊS, Lourenço Marques, 1934-2006, foi uma das principais figuras femininas do século XX, ao tornar-se na primeira mulher Juiz do país. Foi também a primeira a ascender ao cargo de Juíza Desembargadora do Tribunal da Relação em Lisboa

CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO, Guarda, 1877- 1911, lutadora sufragista e fundadora da Associação de Propaganda Feminista. Foi a primeira mulher a votar em Portugal. Foi a primeira médica cirurgiã portuguesa.

MARIA LAMAS, 1893-1983, a partir dos anos 40 envolveu-se na resistência antifascista e na defesa das mulheres, integrando diversas organizações. Em 1947 promoveu uma exposição de grande alcance social, cívico e político: «Exposição dos livros escritos por mulheres».

Poderiam ser outras, poderiam ser mais, poderia a biografia estar mais completa, mas não é esse o objectivo.

Será que estas mulheres, para além do seu reconhecido trabalho, estariam sujeitas a maus tratos físicos, psicológicos ou emocionais?

 Mulheres anónimas. Depois de assassinadas aparecem os seus nomes na comunicação social:

 MARIA PINHEIRO trabalhava na Câmara de Setúbal, foi encontrada morta em casa, cerca das 03.00.

ISABEL FIGUEIREDO, de 60 anos, tinha apresentado queixa por violência doméstica na PSP, foi assassinada com três tiros na cabeça, numa rua em Lamego.

MARIA CREMILDA PINHEIRO, 52 anos, foi esfaqueada até à morte pelo marido.

JUDITE, 84 anos, foi assassinada por asfixia pelo marido.

ADRIANA MARQUES foi degolada com uma faca de cozinha.

RITA CRISTINA FERNANDES foi assassinada em Luanda.

CONCEIÇÃO TAVARES foi barbaramente assassinada.

Poderiam ser outras, poderiam ser mais, poderia a biografia estar mais completa, mas não é esse o objectivo.

Será que estas mulheres, para além da sua injusta e trágica morte, tiveram durante as suas vidas conhecimento dos direitos das mulheres, será que alguma vez lutaram por eles?

bia 8.2

 De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), são direitos das mulheres:

  1. Direito à vida.

    Direito à liberdade e à segurança pessoal.

  2. Direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação.

  3. Direito à liberdade de pensamento.

  4. Direito à informação  e à educação.

  5. Direito à privacidade.

  6. Direito à saúde e à proteção desta.

  7. Direito a construir relacionamento conjugal e a planejar sua família.

  8. Direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los.

  9. Direito aos benefícios do progresso científico.

  10. Direito à liberdade de reunião e participação política.

  11. Direito a não ser submetida a tortura e maltrato.bia 8.3 2

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