SINAIS DE FOGO “O EMPLASTRO” E O DUQUE – por Soares Novais

 A cidade do Porto é o berço do mais conhecido emplastro de Portugal.  E do mundo. Tanto que até já foi protagonista de um dos programas mais imbecis da MTV norte-americana – o Ridiculousness.

“O emplastro” da Invicta, que é nem mais nem menos do que o adepto portista Fernando Alves, tornou-se figura pública, conhecida nacional e internacionalmente, depois de se colar aos repórteres televisivos em serviço no exterior do Estádio do Dragão e que ali fazem os habituais “directos”.

Mas as investidas televisivas do emplastro portuense não se ficam pelo estádio azul-branco e pela cidade. Amiúde, surpreende-nos com a sua presença junto às arenas da Luz ou de Alvalade, mesmo que o seu Porto não jogue nesses palcos, ou à porta do Tribunal Central de Investigação Criminal (TCIC), no Parque das Nações.

Foi o que aconteceu na última quarta-feira. O TCIC voltou a receber a visita de alguns ilustres da nossa praça e lá estava “o emplastro” a testemunhar as entradas de Arlindo de Carvalho, antigo ministro da Saúde num governo do dr. Cavaco, e de Oliveira e Costa, o ex-patrão do BPN. (Carvalho e Costa são acusados por crimes de burla qualificada, abuso de confiança e fraude fiscal.)

Esclareça-se que “o emplastro” do Porto não é o único emplastro do país. Outros há. São aqueles que se colam atrás de ministros, secretários, sub-secretários, directores-gerais, presidentes de câmara, presidentes de junta de freguesia, presidentes da bola, empreiteiros e banqueiros.

 São os emplastros do chamado arco da governação e dos endinheirados. São gente com elevado sentido de oportunidade. Como o dr. Duque, por exemplo, que apadrinhou Ricardo Salgado com o título de doutor honoris causa.

 O chefe do clã Espírito Santo era então o Dono Disto Tudo (DDT) e o ex-presidente de Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) achou-o merecedor de tal distinção.

Agora que o ex-DDT caiu em desgraça, já não tem lugares para oferecer e é acusado de gestão danosa, o dr. Duque nem quer que lhe lembrem tal episódio. Disse-o na entrevista que deu ao I e dessa vontade aqui se faz o devido registo.

Para que conste. Obviamente.

 

A propósito: transcrevo uma pequeníssima parte do discurso do Padrinho Duque durante a cerimónia de entrega do título a Salgado:

(…Mas é pela sua vida profissional que penso ser merecida a atual distinção. O BES na forma como hoje se encontra e pela forma como tem evoluído é um exemplo de liderança e de visão de quem conhece o negócio, tem as relações nacionais e internacionais certas, que delas faz a gestão sensata, e zela pelo ativo mais preciso da atividade bancária: a confiança. Aliás, o título BES é amiúde, ao longo dos últimos anos, um dos títulos que se destacam na bolsa portuguesa pela baixa volatilidade, o que não é alheio à forma como discreta e serenamente o banco é dirigido…)

 A cerimónia realizou-se no ISEG, em Julho de 2013. O Espírito Santo já agonizava e um ano depois foi para os anjinhos.  Ruiu e com ele ruíram as poupanças de milhares de portugueses, que agora vivem dias de profunda angústia. Enquanto isso, o dr. Salgado continua a assistir à missa dominical na sua capela privada e o dr. Duque continua a debitar sabedoria nas televisões e nos jornais.

 

2 Comments

  1. Eventualmente esteve a semear para colher depois,mas teve azar ele e muitos Portugueses enganados ,esses sim o duque de certeza que não.

  2. Muito se escreve sobre o escândalo Salgado ,bombardeia-se na TV ,nos mídias -Não há mais nada de mediático neste País onde só “emplastros” “endinheirados” “honoris causa ” cantam a “caninha verde”? Maria

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