Jean-Claude Juncker, no domingo passado, levantou novamente a lebre: que seria preciso criar um exército europeu. Referiu a necessidade de ripostar a ameaças externas, por exemplo de um país vizinho. Referia-se, claro, à Rússia. Disse também que assim as posições europeias seriam mais credíveis. E que toda a gente acreditaria que não vão ocorrer mais guerras na Europa.
Embora vários países da União Europeia tenham aprovado recentemente a criação de uma força de intervenção rápida, a maioria parece opor-se à criação de um exército europeu. Só a Alemanha será abertamente favorável à ideia. O Reino Unido é declaradamente contra. Um exército europeu significaria o fim das forças armadas nacionais. E o fim das soberanias nacionais. Seria o retorno em força da ideia federalista, que tem perdido terreno nos últimos anos.
A ideia de forças armadas comuns na Europa não é nova. Em 1952, no Tratado de Paris, foi criada a Comunidade Europeia de Defesa, de existência efémera, pois foi afastada em favor da NATO. Não é difícil de perceber o peso da influência norte-americana na orientação tomada. A superpotência assenta toda a sua política internacional no seu peso militar. Uma força militar de grande envergadura, cujo comando não dependesse da NATO, poderia tornar-se um concorrente perigoso. Assim, os Estados Unidos e o seu fiel aliado, o Reino Unido, vão contra a ideia.
Uma outra faceta é a dos países europeus de menor capacidade económica e militar. Arrastados para a União Europeia nas circunstâncias que se conhecem, a existência de um exército europeu significaria para eles um peso ainda maior de Berlim e Bruxelas nas suas vidas. Apesar de todas as bonitas palavras de Juncker e outros, tal exército seria na verdade mais um instrumento para aplicar as políticas de austeridade e as que, com outro nome, lhes vão suceder.
Propomos que acedam aos links seguintes:
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4444154
http://www.publico.pt/mundo/noticia/juncker-apela-a-criacao-de-exercito-europeu-1688503
http://www.esquerda.net/artigo/juncker-quer-criar-exercito-europeu/36121

