Fosse ele um homorista e a frase, “Nem um bocadinho me sinto beliscado no cargo de primeiro-ministro”, teria causado gargalhada geral no Parlamento e, consequentemente, a possível benevolência das populações. Mas Passos Coelho não é humorista, tão pouco revela qualquer jeito para esse ofício, por sinal, muito mais difícil de realizar com qualidade, do que ser chefe de um Governo que, em lugar de governar, passa a maior parte do mandato a passear pelo país, a ver trabalhar as pessoas que ainda não conseguiu condenar ao desemprego, enquanto, assim, dá que fazer aos muitos motoristas e seguranças que contratou. São muitas, muitos os que vivem em função dele. Ele não vive em função de ninguém. É o mais estéril dos portugueses. Também o mais polidamente agressivo, cruel com eles. Depois da atabalhoada forma como tentou justificar-se daquela trapalhada toda que teve com a Segurança Social, o Fisco, em lugar de regressar, logo, à sua condição de cidadão comum, ainda tentou ontem no Parlamento retirar de tudo isso dividendos políticos, para ver se proximamente alcança a maioria absoluta, com que sonham todos os potenciais ditadores. A sua maioria parlamentar aplaudiu, de pé. Só faltou pegar nele em ombros, trazê-lo para a rua, entregá-lo à multidão de desempregados, empobrecidos, assistidos/humilhados pelas IPSSs, Caritas, Misericórdias, e fazerem, juntos, a macabra festa. Afinal, o país nunca esteve tão bem como com este Governo. A prova é que nunca teve tantos desempregados jovens, tantas mulheres assassinadas, tanto futebol dos milhões, tantos programas rascas de tv, tanto caciquismo, tanta esterilidade no Parlamento, onde muito se fala, come-se/bebe-se do bom e do melhor, pouco se produz, e de pouca ou nenhuma valia. Para cúmulo, acabam de matar/calar definitivamente o nosso querido Pe. António Vieira, ao reduzi-lo a 30 volumes que vão, agora, acumular-se de pó nas bibliotecas, também na do Vaticano. Quando é imperioso, urgente que ele possa ser Pe. António Vieira séc. XXI