HOMENAGEM A AMADEU FERREIRA – Um Cidadão Exemplar – por António Baptista Lopes

 Imagem1Texto transcrito de O Fio das Lembranças – Biografia de Amadeu Ferreira, de Teresa Martins Marques.

Com o maior gosto e honra escrevo estas breves notas para a biografia de Amadeu Ferreira.

Conhecemo-nos em 2007, apresentados pelo José Ruy, mestre da banda desenhada portuguesa, a quem um dia lancei o desafio de fazer um álbum sobre a língua e cultura mirandesas.

O passo seguinte foi um encontro com Amadeu Ferreira, que teve lugar num café junto às instalações da CMVM, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Fiquei cativado pela luminosidade da sua pessoa. Anuiu de imediato e sem condições ao projecto, de uma forma absolutamente invulgar. No Verão estávamos em Sendim, com o José Ruy, a realizar o trabalho de campo para a preparação do álbum de banda desenhada Mirandês – História de uma Língua e de um Povo, com coordenação científica de Amadeu Ferreira, e, passados poucos meses, duas belas edições em língua portuguesa e mirandesa viram a luz do dia.

Estabelecemos uma relação editorial e de amizade sem mácula, e é um enorme privilégio ser seu editor e sobretudo seu amigo.

Amadeu Ferreira é, como sabemos, uma personalidade multifacetada,   distribuindo o seu labor e inteligência pela direcção da CMVM, professor na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, presidente da Associação de Língua Mirandesa, presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes, para além de uma obra literária absolutamente invulgar e notável.

O catálogo da Âncora Editora está enriquecido com obras de sua autoria e tradução com o pseudónimo de Fracisco Niebro. Na ficção, um notabilíssimo romance, Tempo de Fogo e La Boba de La Tenerie, primeira obra publicada simultaneamente nas nossas duas línguas nacionais; na poesia, Ars Vivendi Ars Moriendi, onde envolveu dois queridos amigos, António Cangueiro e Rogério Rodrigues; na tradução para mirandês, o nosso poema épico na sua versão integral, Ls Lusíadas, e na adaptação para BD, Ls Lusíadas – Banda Zenhada,feita por José Ruy, igualmente seu parceiro nas obras João de Deus – La Magie de Las Letras. De destacar ainda, Língua Mirandesa – Manifesto em Forma de Hino / Lhéngua Mirandesa – Manifesto an Modo de Hino, Norteando, um livro-poema com fotografias de Luís Borges, Ditos Dezideiros – Provérbios Mirandeses e Belheç / Velhice, com ilustrações de seu irmão Manuol Bandarra. E, como o labor de Amadeu Ferreira é inesgotável, será publicada ainda este ano uma entrevista-homenagem a um dos nossos militares de Abril, Teófilo Bento.

Transmontano e mirandês, Amadeu Ferreira, sendo um cidadão do mundo,tem bebido em permanência na fonte da sua terra natal e dos seus antepassados. Ternurenta a forma como se relaciona com os seus pais, dois seres igualmente de eleição, a Dona Albertina e o Senhor Abílio, os seus irmãos, Manuel e Carlos,e os seus queridos filhos, José Pedro e João, e a nova coqueluche da família,a sua neta Lhuzie, o primeiro bebé com nome mirandês.

Personalidade absolutamente invulgar, nos vários domínios em que Amadeu Ferreira multiplica o seu labor, há uma nota dominante quanto aoseu brilhantismo. Cidadão civicamente empenhado, intelectual do mais puro quilate, profissional de primeiríssimo plano, Amadeu Ferreira é bem o exemplo que todos deveríamos procurar seguir. E, se tal acontecesse, seguramente que o mundo de trevas em que vivemos seria um belo paraíso.

Ao longo da vida, todos vamos conhecendo muita gente. Pessoas com quem apenas nos cruzamos, e outras que queremos que permaneçam nas nossas vidas pelo que para nós representam, e pelo imenso prazer no seu convívio.

Amadeu Ferreira é um nome primeiro num registo de personalidade culturalmente rica, inteligência invulgar, capacidade de realização e bondades em limites.

Em boa hora a Teresa Martins Marques tomou a iniciativa da realização desta biografia. As suas capacidades e a excelência deste trabalho estão bem à altura do biografado.

Que honra e que prazer em ser seu amigo. Forte abraço, querido Amadeu!

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