CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – CHAME-SE A POLÍCIA! – por Mário de Oliveira

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Se forem membros do Governo ameaçados nas ruas por onde se atrevam a passar, como se não integrassem a lista dos grandes criminosos institucionais, chame-se a Polícia para os proteger. Já se for uma mãe solteira, duas filhas menores, a sobreviverem, as três, do RSI, que está a ocupar uma casa que é da respectiva Câmara Municipal, chame-se a Polícia, para as despejar. À força de bastonadas, palavrões, empurrões, outras maneiras que sabemos, tão medonhamente subtis, peritas, que nem podem sequer ser bem descritas. Se os vizinhos da vítima se juntam a protestar contra a Polícia, apanham por tabela, que o direito à indignação tem as suas regras democráticas, não é assim, quando ou como os solidários com as vítimas entendem. Sobretudo, quando os visados da sua indignação são agentes da Polícia. Temos assim uma mesma Polícia, dois comportamentos. Aos grandes criminosos institucionais, saem a protegê-los da indignação das suas vítimas que não suportam o atrevimento deles em se aproximarem delas, por aplausos, apoios, votos nas próximas eleições. Às vítimas dos grandes criminosos institucionais, saem a atacá-las, para que deixem suas excelências, os grandes criminosos institucionais, passar em sossego. Todo o poder vem de Deus. Todos os seus agentes são bons. Divinos, até. Vistam de ministro, presidente, bispo diocesano, chefe de estado, papa, pároco, general, super-juiz. Tocá-los, indignar-se perante eles, é blasfémia, sacrilégio, profanação. Já as vítimas vêm do Diabo. São todas más. Vistam de desempregado, homem da rua, toxicodependente, pobre a roçar a miséria. Ou de mãe solteira com duas filhas menores, a sobreviverem, as três, com o vergonhoso, humilhante RSI. Não têm sequer direito a existir. São um peso para o Estado que é o pai do poder em cada país. O grande poder financeiro. Legitimado por deputados, de direita e de esquerda. Aos quais paga bem, para que garantam a democracia. Essa grande prostituta que tudo corrompe, indignifica. Chame-se a Polícia!

18 Março 2015

 

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