ADEUS HERBERTO! – por Carlos Loures

Estas notícias apanham-nos sempre de surpresa. Um telefonema do Manuel Simões deu-me há momentos a má notícia – Morreu o Herberto Helder.

Numa carta que há dias (25 de Fevereiro) lhe escrevi,  dizia :

Meu Caro Herberto, Como um fantasma vindo do passado, aqui estou eu a dar sinal de vida para te transmitir umas breves palavras. A leitura da revista do António Cândido Franco, contendo evocações preciosas e também algumas versões menos rigorosas do que foi o Gelo, com mitificações que por vezes transformam aquele espaço onde matávamos o tédio numa espécie de academia de Platão, recordou-me alguns episódios e conversas. E deu-me também vontade de te cumprimentar, de te dizer que te considero o maior poeta de língua portuguesa e que há muito que sei que assim é. O meu elogio vale o que vale, mas gostava que soubesses que penso assim. […]Guardo de ti uma boa recordação, lembro muitas das nossas conversas e lamento que não tivéssemos tido um contacto mais assíduo.

Em opiniões que pude expender em entrevistas e artigos, a afirmação de que Herberto Helder foi, é, um grande poeta, corresponde ao que há muito tempo penso sobre a sua obra. Foi um dos frequentadores do Gelo com quem mais privei, fomos colegas na Fundação Gulbenkian, mas tínhamos ambos uma certa relutância em usar a via epistolar como meio de convívio. O que não impede que sinta uma enorme mágoa com a notícia que há momentos recebi.

 

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