A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – II – REPARTIÇÃO DA RIQUEZA E A ECONOMIA ALEMÃ: UMA PEQUENA DESMISTIFICAÇÃO – por ONUBRE EINZ – 2

Temaseconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Alemanha 220px-De-map

A Alemanha, o seu papel nos desequilíbrios da economia real- o outro lado da crise de que não se fala

Uma análise assente na divisão internacional do trabalho[1]

Uma colecção de artigos de Onubre Einz.

II- Repartição da riqueza e a economia alemã: uma pequena desmistificação

Onubre Einz, Répartition de la richesse et économie allemande: une petite démythification

 Criseusa.blog.lemonde.fr., 20 avril 2013

(continuação)

B – As lógicas dos investimentos.

Onubre Einz - XI

Para medir o investimento total ou a formação bruta de capital das empresas, das administrações públicas e dos particulares, é necessário adicionar o investimento privado na habitação (E), o investimento público (F) e investimento produtivo (A) resultantes do investimento em máquinas e em outros bens outros de equipamento (B), as construções imobiliárias destinadas ao sector produtivo (C) e um resíduo de investimentos produtivos que DESTATIS nem sempre integra na FBCF das empresas privadas.

Verifica-se que os investimentos produtivos (A) são caracterizados por uma queda durante os anos 2001-2005 e que a sua subida recomeça a partir de 2006. A sua comparação com a sua parte no rendimento nacional muda completamente com estes novos dados disponibilizados por DESTATIS, e não é possível confrontar coerentemente os dados: a FBCF deixa de ser calculada da mesma forma!

Onubre Einz - XII

O que nos interessa neste esquema, é uma só coisa: as taxas de investimento produtivo das empresas caíram a partir de 1992 em diante e existe mesmo uma ruptura entre os anos que vão de 1992 até ao primeiro mandato Schröder. A diferença essencial com os nossos resultados anteriores é a seguinte: a partilha do rendimento mostra uma taxa de investimento estável (na vizinhança de 15%) enquanto a taxa calculada aqui mesmo diminui nos anos de 1990 e cai depois a seguir a 2000.

Onubre Einz - XIII

Este novo gráfico mostra como pode ter sido tratada a queda na taxa de investimento para não penalizar a competitividade das empresas alemãs. A queda do investimento de todas as empresas poderia ser neutralizada pela manutenção da taxa de investimento em máquinas e outros bens de equipamentos, enquanto os investimentos em edifícios pagaram um alto preço na queda da taxa de investimento.

Talvez possamos levantar aqui parcialmente a nossa contradição estatística reiterando as nossas ideias: 1 ° se a taxa de investimento tem sido constante e considerando que os instrumentos de produção têm sido preferidos à construção de edifícios, então a estrutura desequilibrada do investimento é a tradução germânica dos efeitos do aumento da parcela de rendimentos de receitas da propriedade do capital, o que afecta seja o valor das remunerações globais seja o investimento. As estatísticas alemães contraditórias podem pois apoiar esta tese,  na base na distribuição do rendimento. 2 ° se a taxa de investimento está em declínio, a tese anterior ainda é válida com uma reformulação parcial: a preferência acordada aos bens de equipamento relativamente à construção de edifícios destinados ao sector produtivo é a maneira original que tinha praticado o capitalismo alemão para preservar a sua competitividade. Mas houve erosão dos investimentos produtivos.

Quanto à crise actual, parece que só terá suspendido um processo que é em última análise, insustentável. Os investimentos em edifícios não podem, de modo algum, ser permanentemente negligenciados.

É necessário então interrogarmo-nos sobre a validade das estatísticas alemãs utilizadas neste trabalho: qual das duas estatísticas utilizadas em A e B nos informa melhor sobre a taxa de investimento?

Onubre Einz - XIV

A expressão sob a forma de taxa dos rendimentos de propriedade de capital e a formação bruta de capital fixo (FBCF) relativamente ao PIB mostram que há uma relação inversa entre a taxa de crescimento de rendimentos da propriedade do capital e a taxa de investimento produtivo. São, portanto, os rendimentos de propriedade do capital que parecem pesar significativamente sobre as taxas de acumulação.

Deste ponto de vista, estamos muito próximos da tese que defendemos noutros textos: ou seja, de que a formação dos rendimentos dos agregados familiares do decil dos mais ricos, ditos os top 10 (ou mesmo sobre os 20% dos mais ricos) – em grande parte devido à desigualdade de distribuição de propriedade da capital – pesa significativamente sobre o nível de investimento. Os alemães acomodaram-se, ao que parece, a esta pressão, evitando um declínio na taxa de acumulação produtiva através de uma gestão provisória de investimento desfavorável em edifícios para o sector produtivo.

Onubre Einz - XV

Vemos no entanto que há uma clara relação entre a queda de investimento e a queda das remunerações globais. Se ela determinava o nível de investimento, a queda das remuneratórias deveria alimentar um aumento na taxa de investimento. No entanto não há nada disso entre 1992 e 2007.

Parece, portanto, que o que se esconde na nossa primeira série de estatísticas (A), é a relação profunda entre a queda da taxa de investimento e o acréscimo de rendimentos de propriedade, a pesarem tanto sobre a parte das remunerações globais como sobre o investimento.

(continua)

________

VER O ORIGINAL EM:

http://criseusa.blog.lemonde.fr/2013/04/20/repartition-de-la-richesse-et-economie-allemande-une-petite-demythification/

________

Ver a parte 1 deste trabalho de Onubre Einz, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, em:

A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – II – REPARTIÇÃO DA RIQUEZA E A ECONOMIA ALEMÃ: UMA PEQUENA DESMISTIFICAÇÃO – por ONUBRE EINZ – 1

1 Comment

Leave a Reply