ESCRITOS NA AREIA -UNS VÃO BEM E OUTROS MAL – por António Mão de Ferro

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Não sei porquê, há um pedacito de uma canção do Fausto, que de vez em quando me vem à cabeça e que é: “e assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal”. Porquê? Não sei bem. Mas, talvez por causa da sua simplicidade, independentemente do contexto em que está inserido na canção.

Sempre apreciei as coisas simples e sempre admirei aqueles que de coisas banais conseguem fazer coisas interessantes. Na realidade independentemente da ideologia da canção, sejam quais foremas circunstâncias, há sempre quem vá bem e quem vá mal.

Isto parece por demais evidente, e só não o seria se vivêssemos num país de espíritos melancólicos, para quem tudo o que lhes acontecesse de bom ou mau, fossem sintomas de consequências desagradáveis.

É verdade que razões para a melancolia é coisa que por este país não tem faltado. Há mesmo situações em que nem convém ponderar muito. Ao fazê-lo pode deixar-se de contemplar o que se passa ao redor, tornar-se numa espécie de ator insensível, chegar a desfalecer,e a quase nada mais saber de si.

Quando isso acontece a pessoa fica numa tal situação que às tantas já não sabe se está parado ou se está em movimento e o pior que lhe pode suceder é entrar numa espécie de paranoia. Pensar por exemplo que está dentro de um galinheiro apertado, mover-se como uma galinha que chega ao fim do galinheiro a grasnar, depois recuar invertendo a caminhadae ficar sem saber se deve ir para a frente ou para trás.

Que grande salganhada! Mas se isto já chegou ao galinheiro porque não compararas galinhasa andar para trás e para a frente, aos protagonistas dos casos mediáticos e ao que deles os próprios têm dito? Pessoas de alto gabarito, com elevados títulos universitários, que quando se lhes pergunta o que aconteceu no decorrer do exercício da sua gestão, não se lembram, ou não guardam memória. Outra maneira de desresponsabilização é dizer que entravam mudos e saiam calados. Só marcavam presença nas reuniões. Mas… evidentemente não se esqueciam de receber o vencimento, que ao que parece era bem avultado.

Pobres diabos que para se defenderem, não se importam de reconhecer serem personagens menores, tipo “aqui estás João faz o que te mandam come o que te dão”.

Uns não se lembram do que fizeram. Mas ganharam bem!

Infelizmente há outros que se lembram. Trabalham arduamente e ganham mal!

E assim se faz Portugal!

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