CONTOS & CRÓNICAS – QUANDO DEIXAMOS O CRISTO E REGRESSAMOS A JESUS? – por Mário de Oliveira

 quotidiano1

Sempre que há eleições num país, são múltiplos os candidatos. Todos se propõem vencer para governar as populações. Nenhuns se propõem crescer e fazer crescer com eles de dentro para fora as populações, para que assumam os seus destinos colectivos, em formas outras, que não as do poder, comprovadamente, infantilizador, ladrão, opressor, assassino. Foi assim no passado domingo, em Portugal, Região Autónoma da Madeira. Para a igreja católica romana, o dia era de Ramos. Não faltaram os ditos, nos locais de culto, cada vez mais reduzidos a locais de rascas teatralizações, nenhuma espiritualidade, sobretudo, nenhuma sintonia politica com a desarmada entrada de Jesus em Jerusalém, em Abril do ano 30. Até o poder local não perde pitada e corre a apoiar as paróquias católicas locais, a pretexto de promover o “turismo religioso” que dá milhões a ganhar. E transforma as populações em meros espectadores, nenhum protagonismo político maiêutico. A verdade é que, por uma vez na história da humanidade, goste-se ou não, aconteceu Jesus, o filho de Maria. Quando adulto, revela-se o ser humano-totalmente-outro que só cresceu de dentro para fora, até que se tornou plena e integralmente humano. O poder, por mais que o tentasse, jamais conseguiu entrar/alojar-se na sua mente-consciência. O que leva os respectivos agentes históricos a ver nele um perigo para eles, seus privilégios. O conflito político é inevitável. Como ser humano pleno e integral, Jesus é a Luz que revela que todas as obras deles são más, mentirosos, todos os discursos deles, idolátricas, todas as religiões praticadas por eles. Até o Deus que invocam é criação deles, com que branqueiam todos os seus crimes. Odeiam-no de morte. Matam-no, em nome da Lei deles. Colocam no seu lugar o pai deles, um tal Jesuscristo-Deus. E a história prossegue o seu rumo, como se Jesus nunca tivesse acontecido. Vai daí, viver na história é o infern

o que se sabe, com todos a comer todos, num sagrado canibalismo. Quando deixamos o Cristo e regressamos a Jesus? O poder e regressamos à Política praticada?

31 Março 2015

1 Comment

  1. Uma mensagem que deve ter os melhores ouvintes, sobretudo – mas não só – entre quantos, seus irmãos, a seu tempo, não aceitaram ouvi-lo, preferiram a submissão ao império romano e, não contentes, ajudaram a matá-lo, afinal, séculos passados, um procedimento com muito de igual nos nossos dias.CLV

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