EDITORIAL – UMA CONTAGEM SIMPLES

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As eleições regionais na Madeira no passado domingo estão a causar polémica. Houve um protesto, diminuíram votos de um lado, aumentaram do outro, uma maioria absoluta deixou de ser absoluta, descobriram que afinal faltava contar mais votos (Porto Santo!) e a maioria voltou a ser absoluta. Culpa de quem? Terá sido da CNE. No seu comunicado abaixo, parece vir a assumir as suas responsabilidades no que se passou. Contudo isso não deve impedir o apuramento de como ocorreram os erros referidos (partimos do princípio que foram erros e não outra coisa pior). Terão ocorrido dois, pelo menos, e não será atrevimento excessivo levantar a hipótese de haver mais. A repetição completa da contagem de votos é sem dúvida um imperativo. Mas mais importante ainda é perceber o que se passou. Na região autónoma da Madeira  há 257.232 eleitores inscritos. Se surgem tantos problemas a esta dimensão, como será ao nível de todo o país, onde existem mais de nove milhões eleitores inscritos? Quem se espanta por a taxa de abstenção ser tão elevada?  É verdade  que esta está empolada por os cadernos eleitorais não estarem devidamente actualizados. Mas aí temos mais uma prova do descrédito em que caiu o sistema.

A democracia representativa tem sido o sistema político dominante em todo o ocidente. As suas falhas e insuficiências têm sido apontadas, mas estão por corrigir.  Algumas delas são sem dúvida inerentes ao próprio sistema, que tende a reproduzi-las. Resulta daí que se eternizam no poder certas máquinas partidárias, que se auto-intitulam de “charneira”, “partidos de poder”, “responsáveis”, etc. Talvez isso não tenha directamente a ver com os erros que agora vieram a público, numa comunidade de menos de 300 000 habitantes. Mas que contribui para a descrença cada vez mais generalizada, é inegável.

http://www.publico.pt/politica/noticia/pedida-nova-recontagem-de-votos-na-madeira-1691098

http://www.cne.pt/sites/default/files/dl/COMUNICADO_apuramento_geral_ALRAM_2015.pdf

 

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