A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – IV – O CRESCIMENTO ALEMÃO DINAMIZADO PELAS EXPORTAÇÕES EM QUE AS RAZÕES PARA A PROCURA DE MAIOR COMPETITIVIDADE VALEM TUDO – por ONUBRE EINZ – 2

Temaseconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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A Alemanha, o seu papel nos desequilíbrios da economia real- o outro lado da crise de que não se fala

Uma análise assente na divisão internacional do trabalho[1]

Uma colecção de artigos de Onubre Einz.

IV – O CRESCIMENTO ALEMÃO DINAMIZADO PELAS EXPORTAÇÕES EM QUE AS RAZÕES PARA A PROCURA DE MAIOR COMPETITIVIDADE VALEM TUDO

Onubre Einz, La croissance allemande par les exportations où les raisons de la recherche de la compétitivité à tout prix

Criseusa.blog.lemonde.fr., 08 mai 2013

(continuação)

A – Os dados do comércio exterior e a sua importância para o crescimento

1.° Os dados gerais

Onubre Einz - XXV

Este gráfico mostra o peso do comércio externo no crescimento do PIB da Alemanha. Contrariamente ao que é dito, no primeiro mandato Schröder não aparece nenhuma perda de competitividade grave da economia alemã. Antes das reformas de 2002, as exportações alemãs continuavam a desempenhar um papel positivo no crescimento do PIB que depende cada vez mais delas. Estas exportações permitem financiar as importações sem dificuldade. Como ilustra o saldo da balança comercial que permanece estável, a contribuição desta balança para o crescimento não indica nada de inquietante.

A crise do milénio salda-se pois por uma baixa do papel das exportações no crescimento, mas acompanha-se de uma queda ainda mais marcada do peso das importações. O saldo da balança comercial tem sempre um efeito positivo sobre o crescimento alemão.

Procurar-se-ia encontrar, mas em vão, sinais inquietantes para justificar a amplitude das reformas Schröder: o desemprego? Não era preocupante no momento em que se aplicaram as reformas. E a redução do ritmo de crescimento? Não se verificou. Quanto a uma perda de competitividade medida pelo comércio internacional? Não é visível no nosso gráfico: em período de crise parece lógico que as importações e as exportações se contrairam. Além disso, a crise parece acompanhar-se, a partir de 2010 (T‑1) de um papel acrescido do saldo comercial no crescimento da economia alemã.

Depois de 2001, as reformas Schröder parecem desempenhar um papel muito diferente. A moderação salarial permite descolar as exportações que beneficiam de uma melhoria da competitividade-preço, para além da competitividade-qualidade. Por outro lado, esta moderação penaliza a procura e as importações. Portanto não será de surpreender ao descobrir-se que o papel das exportações no crescimento do PIB não deixa de se afirmar enquanto as importações ficam para trás.

O resultado não se fez esperar: até a crise de 2008, o saldo da balança comercial desempenha um papel consistentemente positivo sobre o crescimento alemão, o país enriquece com o valor líquido do saldo positivo do comércio exterior. Os alemães têm um crescimento que é impulsionado pelas exportações, o que lhes permite cobrir o valor das mercadorias importadas do exterior. É uma escolha estratégica que parece estar menos relacionada com as dificuldades intrínsecas da economia do que com uma reorientação do crescimento visível logo desde 2001, o que as reformas Schröder confirmaram e amplificaram. Os números são impressionantes: entre 2002 e 2008, as exportações passaram a representar aproximadamente +11% do crescimento do PIB.

A crise de 2008 não mudou essa orientação: o crescimento alemão depende cada vez mais das exportações que confortavelmente cobrem as importações. Com a subida do nível de riqueza do país depois da baixa de 2008-2009, recomeçou-se com uma redução da diferença entre as importações e as exportações. A cobertura mais fraca das exportações relativamente às importações já não permitiu que o saldo da balança comercial actuasse como o principal elemento responsável pelo crescimento do PIB, uma vez que a diferença entre as importações e as exportações caiu. Mas pode-se notar, desde o início de 2010, uma reafirmação lenta e frágil dessa função.

2.° Os países que contribuem para o crescimento do papel das exportações no PIB alemão

Onubre Einz - XXVI

Os países que contribuem para o crescimento da riqueza alemã são evidentes quando se consideram as exportações. Eliminemos os países que contribuem marginalmente, estes são representados por países insulares do Pacífico e África que desempenham apenas um papel insignificante nas exportações alemãs. O contribuinte número um para o crescimento do PIB pelas exportações é a Europa continental.

Se olharmos as curvas mais de perto, percebemos que antes de 2001, as exportações para a Europa cresceram positivamente como todas as outras exportações para os outros continentes. A crise do milénio em todos os lugares à escala mundial resultou numa pressão à baixa das exportações alemãs, com excepção de África. Seria um exagero ver neste curto período um sinal de perda de competitividade: a crise está aí.

Mas depois de 2001, o efeito das reformas Schröder foi o de ligar o crescimento às exportações alemãs para a Europa, com o risco de penalizar as quotas das exportações e o crescimento dos outros países europeus de que a Alemanha se apropria. Os pontos de crescimento do PIB que a Alemanha realiza fazem-se com prejuízo do crescimento dos países europeus, que passam a estar com défices por causa disto.

A análise do papel do continente americano e da Ásia no crescimento do PIB revela a relativa estagnação no continente americano que foi substituído precisamente pela Ásia em 2006, ou seja, antes da crise. A Ásia é de todos os continentes não-europeus aquele onde a Alemanha se afirma comercialmente com a maior regularidade, mas a progressão do seu peso para o crescimento do PIB não é em nada comparável relativamente ao da Europa. O crescimento da Alemanha é globalizado pela diversidade das suas exportações, mas este crescimento continua a ser essencialmente europeu e na maior parte da sua progressão.

A crise de 2008-2009 tem visto o papel das exportações europeias ceder um pouco (2008-2009), mas este papel foi reafirmado rapidamente: no Verão de 2009 recuperou o seu nível de 2006-2007. O abrandamento da economia europeia como um todo faz aparecer quer a forte posição do comércio estrangeiro alemão na Europa quer a afirmação do papel crescente da Ásia que se não deve sobrestimar, como tantas vezes acontece na imprensa. A leitura do gráfico ajuda-nos a colocar as coisas no seu devido lugar.

(continua)

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Para ler a Parte 1 deste trabalho de Onubre Einz, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – IV – O CRESCIMENTO ALEMÃO DINAMIZADO PELAS EXPORTAÇÕES EM QUE AS RAZÕES PARA A PROCURA DE MAIOR COMPETITIVIDADE VALEM TUDO – por ONUBRE EINZ – 1

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[1] O título dado à  colecção é da responsabilidade do tradutor.

8 Comments

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