ESCRITOS NA AREIA – OS EFEITOS DO PROGREESSO – por António Mão de Ferro

 

Muitos ainda não se deram conta do cerco a que estão sujeitos. Mesmo quando lhes dizem que a possibilidade de se ser simples anónimo terminou, ainda lhes custa a acreditar.

Daí responderem,que isso não tem sentido.

Quer se queira quer não os movimentos da pessoa são cada vez mais fáceis de detetar. Nem é preciso fazer referência às escutas de que todos os dias se ouve falar.

Um levantamento do multibanco. Um pagamento de uma refeição feito com cartão de crédito ou de débito. O número de contribuinte para uma transação. A passagem pela via verde de uma auto-estrada. Um telefonema feito com o telemóvel. O registo de uma dormida num hotel. Uma conta bancária.

Fiquemo-nos por aqui. Já foram referidas um sem número de situações que permitem facilmente reconstituir os sítios por onde a pessoa andou.

Enquanto uns consideram que a devassa da vida do indivíduo tem pouco sentido e é um manifesto exagero, outros há que vivem atormentados por estarem à mercê de indivíduos mentecaptos, renegados, espiões ambiciosos e pessoas intriguistas, de que direta ou indiretamente estão rodeados.

Por isso dizem que a pessoa prudente deve ponderar as circunstâncias, os casos e entre os possíveis, até os impossíveis!

Perante as circunstâncias há quem se questione se há uma distância muito grande entre aquilo que o indivíduo domina e o que o domina?

Será que as circunstâncias do quotidiano deixam pouca liberdade para a pessoa se mostrar como é, abrir o “coração” e não disfarçar?

Ou o ser humano será uma espécie de máquina oculta comandada como um relógio, que dá voltas sem qualquer sentimento e só mostra os ponteiros?

Haverá um acordo entre o ser e o parecer? Um corpo a corpo entre mentira e verdade?

Será que se é aquilo que se quer ou é-se fruto das circunstâncias.? Hoje desta maneira, amanhã daquela outra maneira, contrária da maneira anterior.

Mas independentemente das consequências é preferível gozar da posse dos meios disponíveis do que da sua privação.

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