SINAIS DE FOGO – ESPERTALHAÇO – por Soares Novais

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Os ponteiros do relógio ainda não tinham assinalado as 8 horas do dia 15 de Setembro de 2014 quando o telemóvel do ex-presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN) tocou.

 Do outro lado da linha, o então ministro Relvas foi directo ao assunto: a esposa Marta ia a um casamento em Angola e precisava de uma certidão do seu Registo Criminal para obter o respectivo visto.

O ex-presidente do IRN, que se riu quando o ex-ministro lhe perguntou “o preço para fazer a transferência”, foi lesto a tratar do assunto: às 9,44 horas, desse dia 15 de Setembro de 2014, o motorista Custódio estava a entregar a certidão do Registo Criminal de dona Marta numa morada na Ajuda, e que o dr. Relvas indicou por sms.

A história, que é relatada pelo Ministério Público (MP) num acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa e que o jornal I divulgou, acusa ainda o dr. Figueiredo de ter uma intenção: “manter poder de influência sobre indivíduos cuja posição social, profissional ou política” considerava como “relevante à prossecução dos seus interesses pessoais”.

O caso protagonizado pelo dr. Figueiredo, que segundo o MP é suspeito de ser “o cabecilha da rede de corrupção e tráfico de influência montada em torno dos vistos dourados recebeu uma série de pedidos directos de amigos e familiares para facilitar e acelerar o processo burocrático de emissões de certidões, autorizações de residência, aquisições de nacionalidade e outras questões que passavam pelo IRN”, não é virgem.

A sociedade portuguesa está recheada destes espertalhaços, sendo que muitos não passam de pequenos-espertalhaços sempre prontos a agradar ao chefe de turno…

 

 

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