REFLEXÃO – Ser de direita ou de esquerda – por Adão Cruz

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Ser de direita ou de esquerda nunca foi a mesma coisa. São dois termos profundamente enraizados na nossa vida política, havendo quem queira menosprezar estas designações, não porque as menospreze, antes pelo contrário, mas porque não lhe trazem conforto nem descanso de consciência. Julgo, pelas minhas reflexões e pelo que todos conhecemos, que a maioria das pessoas de esquerda são gente de boa matriz humana, menos comprometida com os interesses do sistema e com o poder económico, e por tudo o que somos dados a ver no dia-a-dia, muito menos corrupta. Tudo procuram fazer, ao contrário dos que pairam pelas áreas políticas da direita, para continuar a luta em favor dos fracos, dando o corpo ao manifesto, tantas vezes sem qualquer proveito pessoal, e tendo, de uma maneira geral, um elevado sentido da dignidade e da vida. Senhores de uma verdadeira cultura do percurso e não do enciclopedismo balofo da cultura-espectáculo, são gente que reflecte a vida e o mundo em sentido solidário, gente que questiona e se questiona constantemente sobre a verdade e a justiça. Ajudar a criar um mundo melhor e mais justo é a sua grande ambição. Sendo gente humana que erra e aprende com os erros, são irredutíveis na sua força ideológica sem deixarem de ser flexíveis, reconhecendo, contudo, que a verdadeira flexibilidade nada tem a ver com a flexibilidade  e as liberdades formais, alimentadas pelos canais da estupidez e da perversão dos media, o grande domínio da direita.

 

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