CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – AS NOVAS MADRES TERESAS DE CALCUTÁ! – por Mário de Oliveira

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Num tipo de mundo que o cristianismo impunemente formatou durante os últimos dois mil anos, a humilhante prática social da esmola/caridadezinha sempre substituiu a dignificante prática política da justiça. Os ricos, abençoados por Deus, os bons. Os pobres, castigados por Deus, os maus. Também aqui, o cristianismo não passou de um sinistro prosseguidor do judaísmo, da sua Bíblia Sagrada. Encontramo-nos, assim, no início do terceiro milénio, numa bizarra situação. O mundo, que é cada vez mais pós-cristão religioso, nunca foi tão cristão laico. Os clérigos/pastores de igreja rareiam, à excepção dos bispos, arcebispos, cardeais, papa de Roma, onde por enquanto não há crise de “vocações”. Não assim, no cristianismo laico, acentuadamente, financeiro. Cristianismo, é poder. O poder monárquico. O poder de um só. Foi religioso, papal, episcopal, clerical. Hoje, é cada vez mais financeiro, laico, ateu. O Dinheiro acumulado/concentrado em pouquíssimas mãos – as nações e os estados são cada vez mais verbos de encher, totalmente estéreis – é cada vez mais o único poder/Deus do mundo, que tem os povos todos a seus pés. Nunca como neste início do terceiro milénio, o cristianismo laico esteve tão na mó de cima. Para ficar. A humilhante prática social da esmola/caridadezinha, regra de oiro do cristianismo religioso, em lugar da dignificante prática política da justiça, regra de oiro de Jesus Nazaré, veio a desaguar nesta inumana situação social global. Os seres humanos e os povos são reduzidos à humilhante condição social de assistidos, objectos. Mantidos num escandaloso estado de infantilidade.O que os faz deixar totalmente à solta o poder financeiro. Perante o inevitável criscimento, em proporção geométrica, do número de famílias carenciadas, os governos das nações, em lugar de investirem os aneis, os dedos na promoção da dignificante prática política da justiça, investem-nos na humilhante prática social do apoio às famílias carenciadas. São as novas madres teresas de calcutá do poder financeiro!

13 Abril 2015

 

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