A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA – UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – VI – A ALEMANHA E O INVESTIMENTO: UMA POTÊNCIA COM OS PÉS DE BARRO – por ONUBRE EINZ – 3

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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A Alemanha, o seu papel nos desequilíbrios da economia real- o outro lado da crise de que não se fala

Uma análise assente na divisão internacional do trabalho[1]

Uma colecção de artigos de Onubre Einz.

VI – A Alemanha e o investimento: uma potência com os pés de barro

Onubre Einz, L’Allemagne et l’investissement: une puissance aux pieds d’argile

Criseusa.blog.lemonde.fr., 6 de Junho de 2013

(CONTINUAÇÃO)

A-2 – Lógicas particulares dos investimentos.

Uma análise da lógica do investimento privado visa mostrar que a tese de uma possível influência da partilha da riqueza nacional a favor dos ricos e abastados alemães não é simplesmente ilustrada pela lógica do investimento público, mas também pela lógica do investimento privado.

 a) Os dados em valor.

Onubreinvestimento - V

O sector da construção deve ser o nosso primeiro objecto de análise. A FBCF-construção tem aqui como particularidade que ela liberta rendimentos – consumíveis ou aforráveis – à medida que esta baixa, assim a sua queda condiciona as transferências de rendimentos para as famílias alemães ricas. Como tal, a baixa acelerada do valor de construção sob Schröder e a sua correcção sob Merkel são novamente patentes. Elas têm como correlacionada uma aceleração das transferências de rendimento para as famílias de rendimentos acima da média ou muito ricas, transferências estas mais fortes sob Schroeder do que sob Merkel.

As duas componentes da construção: habitação (habitações = B) e imobiliário de empresas (também incorporando a margem uma fracção de edifícios civis ou engenharia civil) ou construção não residencial (= C) atestam uma queda no nível de investimento, pontuado pelos mesmos eventos políticos.

No que diz respeito aos investimentos produtivos, encontramos o que já anteriormente dissemos. Os equipamentos (D) tem sido privilegiados em detrimento do ramo imobiliário do sector produtivo, seja de bens seja de serviços, (C), este investimento focado em equipamentos (D), no entanto, declinou sob Schröder e foi retomado sob Merkel enquanto se sofriam as consequências da crise. Deve notar-se que os investimentos em máquinas e na produção de metais (E) foram mais fortes e mais significativamente afectados pelos efeitos do reinado de Schröder que os investimento em transportes. Sacrificar o imobiliário de empresas, tem, portanto, permitido apoiar o investimento produtivo sem que isso este represente uma fracção importante da riqueza nacional. A transferência de riqueza a favor das famílias ricas e abastadas, através do aumento dos rendimentos e da moderação do investimento produtivo (imobiliário de empresas) é de novo visível.

b) Os dados em taxas

Onubreinvestimento - VI

Os dados e as taxas permitem-nos medir os esforços da Alemanha para a acumulação de capital fixo. Pode-se deixar de lado os investimentos em imóveis residenciais (B), estes últimos em queda livre mostram-nos um peso cada vez menos forte na partilha da riqueza alemã dedicada à construção residencial; Isto só pode levar ao acumular de rendimentos para o topo da escala social. É a mesma coisa face aos empreendimentos imobiliários (C). As nossas análises anteriores, portanto, continuam validadas.

Se isolarmos agora os elementos do capital produtivo, não podemos deixar de ficar espantados pela erosão da taxa de investimento em maquinaria e na produção de peças de metálicas (E) acompanhando-se tudo isto com uma queda na taxa de investimento no ramo imobiliário empresarial (C). A taxa de investimento produtivo assim concebida permite não ter em conta a taxa de investimento nos equipamentos (D = E + F) reflectindo os equipamentos de transporte em capital produtivo, enquanto o transporte se destina a fazer circular os stocks dos produtos que entram ou saem do processo produtivo.

Se notarmos que uma queda da taxa bruta de formação de capital produtivo é acompanhada por uma inevitável queda nas taxas de formação de capital fixo líquido então é necessário considerar que na Alemanha as taxas de formação de capital adicional líquido eram pobres em termos de capital produtivo (C + E) e ligeiramente mais favoráveis nos transportes (F).

Segue-se que o capital produtivo acumulado teve um aumento fraco desde 1992 na Alemanha, o que mostra a queda do esforço nacional em favor do investimento produtivo, o que é mostrado pelo nosso último gráfico.

(continua)

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[1] O título dado à  colecção é da responsabilidade do tradutor.

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Ver o original em:

http://criseusa.blog.lemonde.fr/2013/06/06/iii-lallemagne-et-linvestissement-une-puissance-aux-pieds-dargiles/

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Para ler a Parte 2 de A Alemanha e o investimento: uma potência com os pés de barro, de Onubre Einz, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA – UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – VI – A ALEMANHA E O INVESTIMENTO: UMA POTÊNCIA COM OS PÉS DE BARRO – por ONUBRE EINZ – 2

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