A COLUNA DE OCTOPUS – Cada 40 segundos uma pessoa suicída-se no mundo

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Abordar o suicídio é delicado, porque sempre foi um assunto tabu por razões religiosas, culturais, sociais, e até políticas. As causas são multifactoriais: a pobreza, o desemprego, a perda de um familiar, as condições de vida ou uma patologia sub-jacente.

A sua distribuição geográfica depende muito das culturas: mais elevada nos países do este europeu e em certos países asiático, mais baixa nos países muçulmanos e na América do Sul.

Considerações gerais.

O número de mortes por suicídio é superior ao número de mortes por guerras ou catástrofes naturais, mais 800 000 pessoas por ano. Atinge todos os países, com uma média mundial de 11,4 suicídios por 100 000 habitantes. Mas não atinge todos os países da mesma maneira, a diferença entre os países ricos (12,7) e o países pobres (11,2) é muito semelhante, contrariamente à ideia pré-concebida. Existe duas vezes mais suicídios nos homens do que nas mulheres.  Entre o ano 2000 e 2012 verificou-se uma diminuição dos suicídios, no mundo, de 26%.

Europa.

 Um facto é que nos países nórdicos a taxa de suicídio é mais elevada do que no países do sul. Muitos vêm nesse facto que os países nórdicos, com uma taxa de felicidade mais elevada, paradoxalmente são os que têm as mais altas taxas de suicídio e daí dizerem que “se são tão felizes porque é que se suicidam”? Dinamarca 8,8 suicídios por 100 000 habitantes, Noruega 9,1, Suécia 11,1, Islândia 14,0, o facto é que não estão muito longe da média europeia e mundial de 11,4. É verdade que os países do sul da Europa têm taxas bem mais baixas com a Grécia 3,8, Itália 4,7, Espanha 5,1, mas Portugal 8,2.

 Grande parte deste facto não se deve-se a padrões de índice de felicidade (educação, saúde, segurança) mas sim ao às tradições cristãs desses países do sul, onde o suicídio é condenado pela igreja.

De salientar que nos países europeus, as mais elevadas taxas de suicídio atingem sobretudo as pessoas idosas, com valores de 28,9 para os mais de 70 anos de idade, em França por exemplo, contra 7,9 no grupo entre os 15 e 29 anos de idade. Parte desse facto deve-se ao ostracismo a que os idosos são confrontados nas sociedades actuais.

América.

Os Estados Unidos ou o Canada estão dentro da média mundial, com 12,1 e 9,8 respectivamente. O caso é bem diferente na América do Sul. Aí as taxas são particularmente baixas com 4,2 para o México e 5,8 para o Brasil. Influências religiosas e culturais estarão na sua base. Mas surgem caso assustadores: 44,2 para a Guiana (a mais elevada a nível mundial) e 27,8 para o Suriname.Estes países estão fracturados do ponto de vista social, foram alvo de colonização e os ameríndios deixados ao abandono. É neles que se regista a grande maioria dos suicídios (o que também é válido para todos os países da América do Sul e Austrália). Taxas de desemprego elevadíssimas, más condições de vida e abuso de álcool.

Países muçulmanos.

Na religião muçulmana o suicídio é considerado crime, ainda existem 25 países do mundo onde consta nas suas constituições, a sua grande maioria muçulmana. É nestes países que temos as taxas mais baixas de suicídio com a Arábia Saudita 0,4 (a mais baixa a nível mundial), Argélia 1,9, Tunísia 2,4.

África.

Perto da média mundial mas com nítido aumento (38% de 2000 a 2012), muitos dos quais agricultores.

Ásia.

Temos aqui taxas elevadas de suicídio. Japão 18,5 por razões sobretudo culturais (de honra). Índia 21,1 razões razões culturais e religiosas como a reencarnação. Coreia do Norte em que muito chamados suicídios são crimes. Coreia do Sul por stress, sobretudo relacionado com o trabalho.

 Os factores que levam ao suicídio são múltiplos e sempre de grande sofrimento, no entanto a sua prevenção é possível em alguns casos, para os restantes teriam de ser mudados os paradigmas sociais actuais. Uma coisa é certa, não se tratam só de casos isolados que sempre assustaram as nossas sociedades e que sempre foram escondidos.

 Não é que o suicídio seja sempre uma loucura. (…) Mas, em geral, não é num acesso de razão que nos matamos. (Voltaire).

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