REFLEXÃO – A relação médico-doente – por Adão Cruz

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A relação médico-doente não se põe em termos de educador e educando. A relação médico-doente é um fenómeno bem mais complexo e profundo, implicando a criação de uma confiança mútua, base indispensável do sucesso terapêutico.  Perante um doente, o primeiro mandamento de um  médico é não o prejudicar, seja de que forma for – Primum non nocere –. O segundo mandamento impõe o empenho, a vontade e a sabedoria do médico na procura esclarecida de uma solução que satisfaça o doente e dignifique o acto médico. Qualquer doente tem o direito de saber pormenorizadamente os caminhos investigacionais e as decisões terapêuticas que sobre ele impendem. Todo o doente tem o direito de perguntar e saber o que tem. Há pacientes que, embora não sabendo medicina, sabem mais do que nós de muita coisa. Nunca o médico, pelo facto de ter na sua frente uma pessoa sofredora, fragilizada e numa posição de dependência, pode ou deve usar argumentos prepotentes, imposições de cátedra, ou condutas redutoras da personalidade. A dor, seja ela física ou psíquica, esfarrapa o Homem, como dizia um professor meu, a dor despe até à nudez aquele que a sofre, dissolve a vaidade e coloca o Homem perante si mesmo. A dor é uma espécie de fronteira entre a vida e a morte, e perante ela ninguém tem vergonha de parecer ignorante.

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