A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA – UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – VII – A ENORME FORÇA DE MERCADO DA ALEMANHA E OS SEUS MECANISMOS – por ONUBRE EINZ – 3

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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A Alemanha, o seu papel nos desequilíbrios da economia real- o outro lado da crise de que não se fala

Uma análise assente na divisão internacional do trabalho[1]

Uma colecção de artigos de Onubre Einz.

VII – A enorme força de mercado da Alemanha e os seus mecanismos

Onubre Einz, L’irrésistible puissance commerciale de l’Allemagne et ses ressorts

Criseusa.blog.lemonde.fr., 23 juin 2013

(CONTINUAÇÃO)

B – Grupo dos países do Sul – França incluída

Onubreinvestimento - XII

O gráfico das taxas de investimento em equipamentos mostra que a Alemanha fez esforços mais sensíveis que a Espanha e do que a França cujo nível de investimento é muito baixo. Permanece no entanto muito afastada do nível de investimento da Itália.

Onubreinvestimento - XIII

A análise do centro do investimento produtivo mostra novamente que a Espanha e a França não fizeram um investimento nacional muito intensivo em bens de produção. É mais uma fez a Itália que aparece como relevante.

Onubreinvestimento - XIV

O investimento em transportes não permite tirar conclusões nítidas. Estas despesas não são as mais essenciais no esforço produtivo de um país.

Onubreinvestimento - XV

O investimento em bens imobiliários das empresas trazem-nos mesmo a água ao nosso moinho: preocupada em reduzir ao mínimo os investimentos em edifícios destinados às empresas para reduzir o seu investimento nacional, a Alemanha tem investido muito menos neste tipo de acumulação de capital do que a UE, a França ou a Itália. Simplesmente, deve notar-se que o alto nível de investimentos espanhóis é explicado pela especulação imobiliária, o que também atinge a construção de imobiliário destinado às empresas.

Onubreinvestimento - XVI

A comparação do progresso da produtividade reflecte os esforços de investimento. O crescimento da produtividade do trabalho é muito regular na Alemanha, devido à importância produtiva no investimento de máquinas e bens de capital. Em comparação, a produtividade do trabalho em Espanha e na Itália parece ter ssido nada brilhante enquanto a progressão da produtividade do trabalho em França indica uma situação de descontinuidade depois de 2005. A produtividade do trabalho sendo uma das medidas da eficiência do investimento produtivo, é inegável que a Alemanha tinha uma vantagem competitiva para com a França, a Itália e a Itália, que com a Alemanha têm défices comerciais.

E, contudo, a comparação de investimento produtivo alemão com a UE mostra muito bem que este investimento produtivo nos equipamentos ou mais estritamente ainda em máquinas não pode por si-só explicar os resultados do comércio alemão.

A primeira parte deste trabalho sugere que ao invés de um argumento da qualidade dos produtos se veio adicionar um argumento preço, aumentando significativamente a competitividade dos produtos alemães – já muito forte. Este argumento de preço é explicado pela divisão do trabalho vantajosa que a Alemanha tem praticado para lá das suas fronteiras e pela sua própria moderação salarial.

Os resultados alemães teriam sido bem menores se a Alemanha não tem conseguido fazer actuar um máximo de factores vantajosos para si mesma. Estes bons resultados reflectiriam a diferença de esforços dos investimento e das suas vantagens – já significativas – do Made in Germany.

Maximizando os seus pontos fortes, a Alemanha é colocada numa situação de concorrente irresistível. Nós não podemos criticá-la por ter acumulado vantagens, mas no quadro de uma União Europeia abandonada ao jogo da concorrência livre e não falseada, criou desequilíbrios numa concorrência económica onde os seus concorrentes e parceiros não fizeram funcionar nem a carta da deflação salarial, nem o rigor orçamental e não dispunham de uma vantajosa divisão do trabalho. É, bem assim, que as vantagens alemães se tornaram irresistíveis.

Em conclusão, este argumento de preço dos produtos deve ser recolocado na análise mais ampla de um capitalismo alemão a moldar-se e a reproduzir o modelo americano. De facto, este processo da Alemanha é inseparável de um aumento da desigualdade de rendimento na parte mais baixa da escala de rendimentos tendo como pano de fundo a queda da taxa de investimento produtivo na Alemanha.

(continua)

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Ver o original em:

http://criseusa.blog.lemonde.fr/2013/06/23/iv-lirresistible-puissance-commerciale-de-lallemagne-et-ses-ressorts/

Para ler a parte 2 deste trabalho de Onubre Einz, A enorme força de mercado da Alemanha e os seus mecanismos, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

A ALEMANHA, O SEU PAPEL NOS DESEQUILÍBRIOS DA ECONOMIA REAL- O OUTRO LADO DA CRISE DE QUE NÃO SE FALA – UMA ANÁLISE ASSENTE NA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO[1] – VII – A ENORME FORÇA DE MERCADO DA ALEMANHA E OS SEUS MECANISMOS – por ONUBRE EINZ – 2

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