CARTA DE LISBOA – Deputados ET – por Pedro Godinho

lisboa

Eles não são deste mundo.

Apesar de parecer impossível, continuam a surpreender-nos, pelas piores razões.

Lassos, arrastam-se dum discurso para o outro sem outro objetivo que o de encher o tempo, parecer saberem do que falam – quando falam de nada – e discutirem entre eles, publicamente, como os fundamentalistas da bola, antes de – cantando e rindo, levados – partilharem as benesses e sinecuras que se atribuem ou de que se apropriam.

Não têm noção da vida das pessoas e, para eles, a realidade começa e acaba neles próprios e no seu “condomínio fechado”.

(Até nos detalhes de não perceberem quão ofensivo para o cidadão comum é terem o refeitório a servi-los lauto e fausto menu diário, a preços fortemente subsidiados – e aqui nem a esquerda mais radical se ouve…)

Desta feita, o “arco dos interesses” veio com uma proposta de legislar sobre a cobertura eleitoral pelos meios de comunicação social, de modo a fazer inveja à comissão de exame prévio do anterior regime – que de democrático nem o nome tinha – querendo impor aos media a apresentação prévia dum plano detalhado sobre a cobertura das campanhas e actos eleitorais. E a obrigação de, qualquer que seja a circunstância, ter sempre presente convidados dos partidos com representação parlamentar (mesmo que cegos, surdos e mudos cabe-lhes o direito de assento).

Tal é o medo que a notícia seja livre e independente da sua vontade.

Mas ninguém lhes explica que não é preciso (antes pelo contrário) estarem a legislar todos os dias?

Não há quem, entre eles, tenha a noção mínima de responsabilidade, do ridículo e dos limites?

Tão lunáticos se tornaram que vão acabar expulsos pelos terráqueos, sem perceber como nem porquê.

Um projecto de lei que só mesmo apresentado no dia 24 de Abril.

Santa ignorância do tempo e do modo.

Post scriptum: Este ano o 25 de Abril tem brinde, é a última vez que preside e discursa Cavaco.

1 Comment

  1. Excelente, como outra coisa não era de esperar. A corja de São Bento, pela mão do “arco dos interesses sinistros”, sem pudor, abriu o jogo e, num aceso de saudade, santa estupidez, escolhe o 24 de Abril para reabrir a censura salazo-marcelista. Para tentarem fazer alto ao medo do inevitável – a perda da hegemonia parlamentar – “muito democraticamente” querem ganhar o jogo na secretaria. Se não bastasse tudo quanto vem detrás, agora, aqueles a si próprios chamados de opositores vão continuar a sentar-se na mesma sala – forte descoco – em que os “revanchistas do antigamente”, insidiosamente propugnam por dar todo o musculo àquilo a que insistem chamar de Democracia. Bem podem gritar que não, mas quem não abandona São Bento nada mais faz que não seja legitimar a burla política a que os portugueses têm estado sujeitos. O colaboracionismo é coisa muito feia. CLV

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