“É URGENTE RESGATAR A PEDAGOGIA” – SÉRGIO NIZA NO SEU DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA por clara castilho

Com a sua postura serena habitual (mas certamente em alvoroço interno perante a presença dos membros da Academia , as centenas de amigos, discípulos e alunos), Sérgio Niza, na sua alocução após a apresentação do seu “padrinho “António Sampaio da Nóvoa, questionou a universidade, instituição que acabava de o homenagear ao atribuir-lhe o doutoramento honoris causa.  Clamou que é necessário reiniciar o diálogo entre os pedagogos, que é necessário desfazer o equívoco das partilhas do poder académico. Louçou o desafio de a universidade corresponder àquilo que dela se espera, não uma simples reforma, mas uma ruptura contra as exigências que lhe são actualmente impostas, de corresponder às exigências mercantis. Chamou missões primordiais da universidade: produzir conhecimento pelo estudo e investigação e renová-lo.

sergio niza

Não deixou de referir a necessidade de atendermos ao posicionamento social e respecitiva actuação – “fazer das nossas vidas uma obra de arte, acrescentando valor democrático à democracia que se desfigura”.

Lembramos: Sérgio Niza é Professor do Instituto Universitário – ISPA, Presidente do Movimento da Escola Moderna e membro cooptado pelo Conselho Nacional de Educação. A  obra “Sérgio Niza – escritos sobre educação”, com organização de António Nóvoa, Francisco Marcelino e Jorge Ramos do Ó, editada pelo Movimento da Escola Moderna e Edições tinta-da-china está esgotada e uma 2ª edição em preparação.

Sérgio Niza que chama a atenção para o facto de habitualmente  o ensino é visto como um acto iluminante do professor que se destina a seres inferiores e ignorantes, ensino esse que subestima as conceções, os contributos e a inventiva criadora dos alunos na construção dos seus próprios saberes curriculares.

Sérgio Niza que considera:

“a escola portuguesa está esclerosada, está desfasada do tempo histórico”;

 (..) A escola não perde tempo a fazer aprender. Cada vez mais, o que se sugere aos professores é que debitem a matéria, que vigiem e que penalizem os alunos que não aprendem por si ou com as famílias procedendo à sua retenção”

“(…) As crianças e jovens que têm dificuldades vão continuar a serem excluídos. Da escola e da sociedade… essas crianças vão continuar  a ser tratadas como portugueses de segunda. (…) Os professores foram ensinados de determinada maneira e tendem a replicar o modelo que conhecem” ( entrevista ao Notícias Magazine – 10.2012) .

Sérgio Niza que, na sua prática e no impulso que tem dado e dá no Movimento da Escola Moderna, tudo isto põe em questão e a tudo isto tenta responder. Sérgio Niza que nos impulsiona na procura de perguntas e de respostas.

Leave a Reply