
SEGUNDO ACTO
No dia seguinte. A cena representa a esquina da Rua do Ouro e da Rua Luciano Cordeiro. Multidão de transeuntes e de carros eléctricos. O honrado chefe de família procura ansiosamente com a vista e com o olfacto alguém conhecido.
(continuação)
…
CENA II
O HONRADO CHEFE E UM SUJEITO AMÁVEL
O sujeito – (Muito amavelmente) É a minha carteira que V. Ex.ª procura?
O honrado chefe – Era…
O sujeito – Sinto muito; mas furtaram-me há bocado num carro do Rio de Janeiro. Também, quem a levou não ganhou o dia. Tinha dentro três mil e quinhentos, quando muito…
O honrado chefe – (Apeando-se) Ora bolas!… (Tendo outra ideia). Experimentemos. Vou à batota ali a cima. Chego e faço uma parada de boca. Se ma aguentarem e saírem dois grandes, é a forma de poder dar de comer aos meus pequenos (Dirige-se, correndo, a uma casa de jogo).
CENA III
O HONRADO CHEFE E O PORTEIRO
O porteiro – Que deseja o cavalheiro?
O honrado chefe – Jogar despreocupadamente dez mil reis ao grande no nobre jogo da chamada banca francesa.
O porteiro – Isso também eu queria! As batotas estão fechadas por uns dias. Tanto que vai haver três revoluções por causa disso…
O honrado chefe – Decididamente tudo se volta contra mim. Inferno e maldição!…
CAI O PANO
(continua)
25 de Fevereiro de 1923
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