CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – E DEPOIS DE ABRIL? – por Mário de Oliveira

Segundo o calendário, depois de Abril, vem Maio. Em Portugal, desde há 41 anos, depois de Abril 74 passou a vir, cada vez mais em força, o grande Capital. A “revolução” apenas antecipou a queda do regime fascista, já à beira de cair de podre. As populações celebraram ras ruas. Os partidos políticos nasceram como cogumelos, bem como associações para todos os gostos. Soltou-se a palavra amordaçada. A simples palavra Liberdade, proibida até então, passou a andar em todas as bocas. Parecia que estávamos a nascer de novo. Ainda hoje, custa-nos reconhecer que apenas mudaram as moscas. A Liberdade que Abril canta até à exaustão é, sobretudo, a do grande Capital que Abril não decapitou. Ninguém, no calor da festa, se lembrou de que é ele o inimigo n.º 1 dos povos das nações. Sobretudo, a sua ideologia-teologia que converte todos os crimes dele em outros tantos feitos heróicos. Continuamos a milhas de Jesus Nazaré, do seu Projecto político maiêutico, o único que vai à raiz do Mal, decapita o grande Capital, em lugar de negociar com ele. Só a partir de então os povos das nações crescem de dentro para fora, reconhecem-se carne da mesma carne, sangue do mesmo sangue, irmãos, vasos comunicantes, sujeitos das próprias vidas, protagonistas da História. É de Jesus, apenas dele, Deus/os povos das nações, ou o Dinheiro! Jesus vê que, deixado à solta, o grande Capital decapita os seres humanos. Porém, em vez de acolhermos-praticarmos Jesus, corremos a matá-lo, como o maldito. Colocamos em seu lugar o mítico Cristo, o outro nome do grande Capital. Fora da revolução de Jesus, todas as revoluções acabam em pesadelo. Também a de Abril 74. A coligação PP-PSD, anunciada em directo à hora dos telejornais, no próprio dia 25 de Abril 2015 é a prova provada de que a única liberdade que existe é a do grande Capital com a sua ideologia-teologia judeo-cristã-islâmica. Quem tiver ouvidos para ouvir, oiça. Quem tiver olhos para ver, veja!

27 Abril 2015

 

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