Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
A Alemanha, o seu papel nos desequilíbrios da economia real – o outro lado da crise de que não se fala
Uma análise assente na divisão internacional do trabalho[1]
Uma colecção de artigos de Onubre Einz.
IX – A desigualdade de rendimentos, a sub-acumulação do capital e a crise actual dos capitalismos históricos
Onubre Einz, Inégalité de revenus, sous-accumulation du capital et crise actuelle des capitalismes historiques
Criseusa.blog.lemonde.fr., 4 de Julho de 2013
(CONCLUSÃO)
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Conclusão
A análise aqui feita ajudou a corroborar uma tese extrapolando as reflexões feitas no caso americano para outros países. A demonstração está evidente, sem ser perfeita devido aos problemas das fontes estatísticas fragmentadas. A tese aqui defendida não é pois certa, ela é muito provável. A depressão actual e a ausência de uma solução para a crise são o resultado do profundo desinteresse das elites ao verem as suas vantagens a poderem ser postas em causa. Seria possível sair da crise pela inflação: a inflação não desvaloriza ela as dívidas públicas e privadas? Mas isto seria de imediato estar a pôr em causa o valor dos patrimónios financeiros, os juros que estes patrimónios obtêm; a distribuição de rendimento entre os salários da maioria da população e o capital seria questionada, os rendimentos directos obtidos pela propriedade de empresas e os dividendos seria inevitavelmente afectados. Esta opção está, portanto, barrada.
É ainda possível reindustrializar os países tendo em conta o conjunto de todos os factores que entravam a existência de uma concorrência ‘livre e não falseada’ entre os países. Esta reindustrialização poderia fazer-se por detrás das barreiras justificadas por razões sólidas: falta de respeito pelos direitos do trabalho, ausência de sindicatos, dumping económico, não-conformidade com o ambiente…
Mas isto seria estar a optar pelo par proteccionismo – reindustrialização, o mesmo é dizer que seria pôr em causa um modelo que tornou suportável o baixo crescimento dos rendimentos da maioria da população através da importação de enorme quantidade de mercadorias que entram no consumo e nos equipamentos doméstico. É ter de alocar uma parcela maior da riqueza nacional para os investimentos produtivos e, necessariamente, para a reorganização das estruturas de repartição do rendimento entre os habitantes dos países da Europa, América do Norte, do Japão. Esta solução, banida do consenso ideológico vê-se proibida de debate público.
A análise dos dados dos diferentes gráficos levou-nos a alargar a nossa perspectiva. Os dados destes gráficos sugerem que são os capitalismos anglo-saxónicos que são ainda os dominantes. O modelo dominante de partilha do rendimento entre os habitantes desses países e a arbitragem entre rendimento e investimento ainda parece estar globalmente sob influência anglo-saxónica.
Neste sentido, os outros capitalismos históricos parecem incapazes através da crise de desafiar um modelo em direcção ao qual eles próprios estão a caminhar a passos mais ou menos largos. É provável que um dos desafios da crise actual seja não o de salvar o modelo anglo-saxónico, mas o de aprofundar as aplicações possíveis. A ideia de um alargamento das desigualdades, durante a crise sugeriu que essa ideia poderia ser correcta. É assim que se pode interpretar a política de rigor na Europa, com os países anglo-saxónicos a não terem já muito mais margem de manobra para progredirem em matéria de desigualdade de repartição do rendimento e de arbitragem entre investimento e rendimento, daí as outras aplicações possíveis.
Onubre Einz, Inégalité de revenus, sous-accumulation du capital et crise actuelle des capitalismes historiques, texto disponível em:
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[1] O título dado à colecção é da responsabilidade do tradutor.
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