ALERTA DA “PLATAFORMA TRANSGÉNICOS FORA” SOBRE OS HERBICIDAS DA MONSANTO por clara Castilho

A Plataforma Transgénicos Fora defende uma agricultura sustentável orientada para a protecção da biodiversidade e do direito dos povos à soberania sobre o seu património genético comum. É composta por pessoas que, em nome individual ou enquanto representantes de associações e outras entidades, oferecem o seu tempo como voluntários para uma luta que é de todos. Em finais de Março alertou-nos com a notícia: ”O herbicida mais vendido em Portugal afinal pode causar cancro em humanos” onde informam: “A Organização Mundial de Saúde, através da sua estrutura especializada IARC – Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro sediada em França, declarou o glifosato (junto com outros pesticidas organofosforados) como “carcinogénio provável para o ser humano”. Esta classificação significa que existem evidências suficientes de que o glifosato causa cancro em animais de laboratório e que existem também provas directas para o mesmo efeito em seres humanos, embora mais limitadas.

monsanto

As implicações desta avaliação são profundas. Porque as decisões da IARC não são vinculativas, cabe agora aos governos e outras organizações internacionais tomar as medidas adequadas para proteger as populações. Considerando que este ano o glifosato está em processo de reavaliação na União Europeia,impõe-se a coragem de proibir o seu uso antes que as consequências se agravem.

A situação em Portugal é particularmente grave. Em 2012 aplicaram-se no país, para fins agrícolas, mais de 1400 toneladas de glifosato, e esse consumo tem vindo a aumentar: entre 2002 e 2012 o uso de glifosato na agricultura mais do que duplicou.

O glifosato, comercializado em Portugal em diferentes formulações por empresas como a Monsanto, Dow, Bayer e Syngenta, entre outras, também é vendido livremente para uso doméstico em hipermercados, hortos e outras lojas e, lamentavelmente, usado com abundância por quase todas as autarquias para limpeza de arruamentos (uma das vias importantes de exposição das populações, segundo a IARC). A Plataforma Transgénicos Fora já em 2014 desafiou as autarquias a aderir à iniciativa “Autarquias Sem Glifosato” mas até agora apenas oito freguesias e quatro câmaras assumiram formalmente esse compromisso. Neste momento as restantes terão muita dificuldade em justificar a sua inação.

O glifosato está até autorizado para aplicação em linhas de água para matar infestantes, muito embora o próprio fabricante reconheça a toxicidade para os organismos aquáticos, e o impacto negativo de longo prazo no ambiente aquático.*4,5,6 Apesar disso infelizmente não é rotina a análise ao glifosato em águas superficiais ou de consumo pelo que a extensão deste impacto não é conhecida no nosso país (ao contrário do que acontece em muitos outros países – em França, por exemplo, mais de metade das análises a águas superficiais em anos sucessivos revelou a presença de glifosato e do seu metabolito AMPA, o que levou o governo francês a reduzir as doses máximas autorizadas na agricultura).”

O glifosato é a base do Roundup, um dos principais herbicidas do império de produtos geneticamente modificados da empresa, e gera US$ 6 bilhões por ano. E, claro, a multinacional Monsanto veio dizer que a IARC se baseou em estudos antigos e desconsiderou novas investigações sobre a toxicidade do produto.

Corre uma petição internacional sobre este assunto:

https://secure.avaaz.org/po/monsanto_dont_silence_science_loc_eu/?bdkaGhb&v=57264

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