POSIÇÃO DO SINDICATO NACIONAL DOS PSICÓLOGOS SOBRE A INDISCIPLINA ESCOLAR por clara castilho

 No dia 8 de Abril de 2015, em sessão promovida pelo Grupo de trabalho sobre a prevenção da indisciplina em meio escolar da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da AR, o Sindicato Nacional de Psicólogos tomou uma posição que se desloca do aluno para analisar todo o contexto em que a indisciplina ocorre e toda a sociedade.

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 …”Não podemos considerar a disciplina como um fenómeno isolado dos restantes fenómenos sociais. É necessário garantir estabilidade à comunidade educativa no global, quer na sua estrutura, quer nos seus processos relacionais, para que a mesma responda de forma coerente, consistente e consciente a este desafio de educar para a cidadania. As condições de trabalho dos diversos profissionais duma escola são, assim, indissociáveis da qualidade do ambiente educativo, das relações interpessoais entre trabalhadores e entre alunos.

 ….O desemprego das famílias e as suas dificuldades financeiras, a falta de expectativas positivas dos alunos face à escola e da mesma no desenvolvimento dos seus projetos de vida, a ausência de vínculo profissional dos assistentes operacionais (tão frequentes os contratos de emprego-inserção), a contratação tardia de professores, os psicólogos a meio tempo com contratação de escola, são alguns dos fenómenos mais gerais ou específicos que poderíamos elencar numa extensa listagem de problemáticas que não se dissociam da capacidade de educar para a cidadania, para a disciplina, uma vez que a estabilidade deriva da justiça, da noção de que entre todos se sabe o que se pretende e que as regras do jogo não mudam durante o mesmo.

 …Aos psicólogos é urgente reconhecer formal e permanentemente o valor e importância. Como temos denunciado diversas vezes, a contratação de escola e a manutenção das necessidades permanentemente temporárias, com rácios de psicólogo por aluno muito desfavoráveis, dificulta e muito a possibilidade de estabelecermos planos de intervenção e promovermos mudanças duradouras nas comunidades. Aliás, parece que a necessidade é apenas de remediação, quando, como já referimos, é na prevenção e na promoção que melhores resultados se tem em termos disciplinares, seja diretamente sobre os comportamentos, seja através da orientação vocacional, da promoção de competências de estudo, na formação de professores, entre outros.

 Em síntese:

  • As condições de trabalho dos profissionais são determinantes na qualidade da ação disciplinar;

  • A relação entre a escola e a família deve ser cuidada e promovida, prevenindo-se conflitos que se agudizam quando há ocorrências disciplinares;

  • Os alunos precisam de identificar na escola e na sua formação o valor para a construção dos seus projetos de vida;

  • A comunicação entre as estruturas de liderança e a comunidade deve ser muito eficaz;

  • As regras, as consequências do cumprimento e do incumprimento devem ser discutidas e ensinadas, num âmbito de cidadania alargado, em conjunto com outras temáticas – ninguém respeita as regras de um sistema que não conhece ou não legitima!

A escola é o palco do diálogo social. O diálogo implica divergência, concordância mas tem de implicar que as partes se ouvem e se respeitam. Mudanças como o alargamento da escolaridade obrigatória, que trouxe, e bem, milhares de jovens para a escola colocam pressões sobre as comunidades educativas às quais não conseguirão responder sem recursos, sem estabilidade. Os profissionais necessários e em número necessário, os mecanismos próprios claros e justos, os projetos ponderados com tempo e propósito preventivo (e não reativos ou remediativos) são a melhor garantia para escolas com bom ambiente educativo.

1 Comment

  1. apesar da vacuidade do post vale a pena acompanhar os exemplos positivos que nos vêm de Africa e USA onde processos educativos virados para mãos na massa obtiveram rersultados de 80% de sucessos em escolas que zonas problematicas onde era normal 30%.

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