Parece que Barack Obama está com dificuldades na política internacional. Um pedido que fez para obter maiores poderes nas negociações com outros países foi chumbado no Senado, tendo mesmo sido obstado, não só pelos republicanos, como também pela maioria dos elementos do partido democrata. A razão alegada em primeiro lugar para o pedido terá sido a necessidade (segundo Obama e o seu governo) de fazer avançar as negociações para o tratado de livre comércio para o Pacífico. No Senado esta questão chocou com negociações sobre outras matérias, que poderiam ter implicações mais ou menos próximas com a questão da liberalização do comércio, como as relacionadas com direitos laborais.
As implicações podem ser muitas. A liberalização do comércio tem cada vez mais opositores, até pelas dúvidas sobre se alguma vez os Estados Unidos serão capazes de competir com as nações asiáticas em regime de comércio livre, devido aos problemas relacionados com o custo da mão de obra, e também porque estas nações vêm revelando uma capacidade tecnológica crescente, até pelos efeitos da deslocalização. Parece que entre os fortes oponentes dos avanços neste capítulo, que têm sido prioritários para Obama e a sua equipa, estão os sindicatos norte-americanos, que continuam a ter bastante influência, apesar do descrédito que sobre eles se tem abatido.
Será precipitado concluir que as razões para esta paragem nas negociações norte-americanas com as nações do Pacífico acarretarão resultados idênticos para as negociações com as nações do Atlântico. Referimo-nos claro ao TTIP/TAFTA. As condições aqui são muito diferentes. A União Europeia (UE), embora se procure fazer passar a ideia contrária, está num momento baixo, de popularidade e não só. A hegemonia alemã tem causado muitos problemas, a UE está-se a mostrar incapaz de resolver os problemas com a Grécia, o Reino Unido é uma incógnita, e a pragmática (para não lhe chamar outra coisa) diplomacia norte-americana vai com certeza querer tirar partido. Para Barack Obama conseguir salvar a sua presidência de um insucesso generalizado é que deve ser tarde. Nem Raul Castro e o papa Francisco o poderão salvar.