Depois de ter lido o seu novo texto sobre o sentido dos “Lusíadas”, aqui lhe mando estas palavras de entendimento e entusiasmo. Tenho vindo a citá-lo porque compreendo que o que tem dito de “Os Lusíadas” é vital.
Espero ter oportunidade de falar consigo qualquer dia e de trocar questões e pontos de meditação.
Entretanto, uma afirmação deste seu texto me levanta sérias dúvidas. Que o anti-ismaelismo evidente de “Os Lusíadas” seja prova de uma opção cristã. Historicamente, o anti-ismaelismo como posição específica adentro do genérico anti-árabe é caracteristicamente judaico. Foi o árabe xiita que aniquilou em parte a grande cultura e civilização sunita-judaica de Córdova, etc. E foi do xiita que o judeu sempre sofreu embate no Oriente. (Como reconhecem tanto judeus como árabes, por exemplo os do grande dossier da luta israelo-árabe organizado por “Temps Modernes”).
No tempo de Camões a grande cruzada especificamente anti-ismaelita foi pregada tumultuosamente pela Europa fora pelo judeu David Reubeni – que eu pessoalmente suponho de origem portuguesa, pois encontrei este nome no séc. XIV em judeus do Alentejo –, que veio à corte de D. João III como enviado do Papa, acabando por ser expulso por grande agitação dos cristãos-novos. O seu propósito público conhecido era organizar um exército de judeus europeus que seguissem a ocupar a Terra Santa. Luís de Camões é possivelmente o seu grande eco.
Recorde que assim como ele fala no torpe ismaelita, fala também do bom lavrador mouro (o radicado no solo transtagano, no tempo da reconquista) e, no Episódio de Aljubarrota, creio, diz-nos que o bom nome sarraceno anda mal entendido ou estimado – é mais ou menos isto. Vilipendiando o ismaelita, ele salvaguarda o sarraceno, sendo este daqueles que desceram com Mahomé das montanhas de Sarraca (conforme esclarece Epifânio, por exemplo).
Estou a escrever baralhado e à pressa. Aliás, já escrevi e reescrevi umas quantas vezes. A expressão, para mim, é difícil escrita. E falada, pior. No entanto, espero muito que falaremos desta questão e de outras.
A questão do cristianismo de Luís de Camões é para mim bastante duvidosa. Não vejo que as suas referências a Cristo sejam algo mais que ambíguas, permitindo essa ambiguidade passar imediatamente a uma perspectiva docetista. Tal atitude coaduna-se com a presença de Tomás no Canto IX e com as ligações deste com o nestorianismo e com a religião do Malabar, o monofisismo siríaco. (Camões não fala nisto, evidentemente; mas a presença de Tomás está prenhe de significações, como você saberá melhor que eu – além disso, há as suas, de Tomás, profecias relativas a Portugal, matéria perigosa que Camões cala, mas que por exemplo Diogo do Couto refere numa Vida de Vasco da Gama manuscrita que está aqui na BNL e que parece que vai ser publicada agora. Essas profecias repetem-se em inúmeros manuscritos e são susceptíveis de serem interpretadas, pelos seus termos, como refererindo-se ao advento do Império e do Imperador Messias e à recondução de Israel.)
Outro ponto de leitura decisiva creio ser a expressão “suma e trina essência” que todos têm tomado tranquilamente pela Trindade. Não viram que é uma “heresia”– uma atitude essencialista. A essência rigorosamente é una, as pessoas é que são três. “Suma e trina essência” é a tríade, o triângulo e tudo o que isto pode ser.
A partir desta zona da minha carta, que estava a ser feita e refeita como é meu hábito em relação a papéis, deu-se o caso de o António Telmo ter tido a belíssima ideia de aparecer junto à minha mesa. Espero ter a oportunidade de trocar descobertas, certezas, interrogações e dúvidas no âmbito do seu trabalho e do meu, trabalhos que me têm parecido sempre e afinal complementares, sendo ambos sobre os Filhos da (múltipla) Luz ou Lus(z)íadas. Acabei de escrever um artigo sobre o avoengo Vasco Peres de Camões, o poeta celebrado da “gaya ciência” e no fim desse texto nomeio os Filhos da Luz, sem explicações; o que é importante é que percebi que há uma possível cadeia familiar iniciática.
Não tem fim nesta já curta vida o que há para dizer e não-dizer e aprender. E aqui em Lisboa felizmente e infelizmente há muitos surdos. Por isso, esperando que outra sexta-feira o traga até Lisboa, se possível no início da tarde,
receba a grande saudação
da Fiama
CARTA II
Caro António Telmo:
Aqui lhe mando um pequeno resto da pequena conversa de 6ª feira, que girou à roda dos seus sempre interessantes pontos de vista sufis. Continuo a achar que Luís de Camões é a grande síntese; de uma grande Idade, possivelmente. Nisso aproxima-se de Dante e do quadro de Nuno Gonçalves??
Não tive ocasião de lhe dizer, quando você referiu Dante e os Fiéis e o Sufismo, como possível caminho camoneano na lírica (perspectiva que me interessou muito, como sabe, na sua conferência), que me parece não estar só em Dante presente a escatologia árabe, que Asín detectou, mas também a mística da Merkaba (o carro com as 7 etapas e senhas) e o cristianismo não Romano, em suma, o grande Canto da 3ª e última Idade.
O mesmo me parece nos Painéis – não estão presentes, nesse espaço, cavaleiros, freires europeus, árabes, cistercienses, e judeus e um dignitário arménio e os pescadores-de-homens (evocação dos Apóstolos?), etc.?
E “Os Lusíadas”? Vejo neles uma meditação sobre Deus em 10 tempos, digamos, ou sobre os 10 atributos: cada Canto um; Deus, que além dos 10 atributos, tem uma “verga” (não tenho presente o Canto e estância que referem a “divina verga”), ou seja, “régua. A síntese entre a Luz e o Arquitector que mais Nomes ou Vias pode receber?
Outra coisa, a propósito: foi o Joaquim de Carvalho que me fez pensar nos “mot’azilitas”, do Kalam (palavra, teologia). Parece-me que quando o Camões fala em “falsa teologia” e “povo escuro” que errou negando a Criação, ataca o averroísmo-aristotelismo que advoga a matéria eterna (segundo J. Carvalho); e segundo a minha interrogativa pessoa, defende a “verdadeira teologia” (por exclusão) que será teologia ipsis verbis ou seja o Kalam, que defende precisamente a ideia de Criação “ex-nihilo” – questão certamente importante no judaísmo medieval peninsular (que adoptou numa das suas correntes os métodos Kalam dos teólogos mot’azilitas, religiosamente neutros, isto é, nem ligados intrinsecamente a sunitas nem a xiitas e definindo-se como teólogos ecléticos em oposição a filósofos (aristotélicos) e a místicos.
Quando tiver paciência ou quando tiver o seu novo livro, passe outra 6ª feira por aqui!
Cordialmente,
Fiama
CARTA III
24/3/82
António Telmo:
Acabo de folhear a sua Ilha, parece-me cativante. A gravura é um todo, ou é parte de uma gravura maior? – Questão importante.
Fiquei satisfeita com a minha passagem rápida pela Ilha, mas espantada com a presença dos Saraivas (e ausência do Pinharanda, por exemplo). Saraivas? O 1º vendilhou, com a Violante, uma hipótese do Storck, fazendo-a sua sem dizer e enchendo-a de erros históricos e atribuindo a Camões poemas de cão e gato. (O Costa Ramalho deu-lhe uma excelente tareia). A Violante singrou “à gauche”, e encontra-se com êxito no espectáculo actual da Comuna, do incrível dramaturgo Helder Costa, autor das maiores vigarices históricas televisivas, um programa que metia uns ressuscitados. O 2º Saraiva terá desembarcado na Ilha em cima de um estafado artigo no JL sobre o imperialismo de Carlos V e o medievalismo da cruzada dos “Lusíadas”. Além disso, esse sujeito é autor de gargalhadas apenas, proferidas no Centro Nacional de Cultura, há dois anos, numa sessão exclusivamente dedicada aos meus artigos (onde não compareci), em que Eduardo Lourenço dissertou sabiamente sobre a impossibilidade de o platonismo ter a ver com judaísmo e o Saraiva apenas disse que os meus artigos lhe davam tanta vontade de rir que não os lia. (O A. C. Carvalho é testemunha e outras pessoas).
Aqui vai uma nota que fiz para o “Dicionário de Literatura” das ex-Iniciativas Editoriais e que entreguei no ano passado, em Dezembro. Procurei destacá-lo, como merece. (Mas os Saraivas é que não lhe perdoo!) A não ser que você lhes tenha querido pregar a diabólica partida de os pôr junto a mim e à Antonieta, por cujos trabalhos ele tem mostrado desprezo (o Saraiva vigarista).
Na “História”, Maio, vai sair um texto meu que tem alguns pontos que me parecem vivos. Se puder, passe por cá com o seu livro e diga o que acha da minha nota.
Abraço para si e sua gente
(Entretanto, fui ao Porto e a carta ficou. Entretanto, recebi o seu livro. OBRIGADA)
COMENTÁRIO [A.C.C.]
Estas três cartas, escritas em 1980 e 1982 por Fiama Hasse Pais Brandão e enviadas a António Telmo, dão testemunho de várias coisas essenciais para quem se interessa pelas vidas e obras destes dois autores fundamentais do nosso século XX.
Fiama (1938-2007), poetisa, escritora, dramaturga, ensaísta e tradutora, figura importante do movimento da Poesia 61, duas vezes vencedora do Grande Prémio de Poesia da APE (1996 e 2000) e também do prémio do PEN Clube em 2001, fez uma curiosa inflexão no seu percurso a partir do final dos anos 70, passando então a embrenhar-se no labirinto de Camões e da época deste. Numa série de artigos publicados desde 1979 no Diário de Notícias, O Jornal, Brotéria, Jornal de Letras e Arquipélago, e depois reunidos no volume O Labirinto Camoniano e outros Labirintos (Teorema, 1985), Fiama procurou desvendar o enigma Camões (e o de outras figuras da mesma época) segundo uma perspectiva completamente “herética” aos olhos dos historiadores e literatos oficiais de ontem e mesmo de hoje. Ponto por ponto, como quem faz uma tapeçaria, usando as descobertas das suas investigações feitas durante as muitas leituras na Biblioteca Nacional, ao longo de anos, lendo com olhos de ver os velhos livros que já ninguém consultava, Fiama foi fazendo um verdadeiro trabalho de hermenêutica em torno dos textos de Camões e da sua época, toda ela esmagada pela Inquisição e marcada pela necessária ocultação de uma sabedoria ancestral que não convinha ao pensamento único imposto pelo chamado “Santo Ofício”.
Mas Fiama não estava sozinha nessa tarefa apaixonante, ainda que perigosa, como veio a verificar pela recepção do que foi escrevendo: entretanto, a sua amiga Maria Antonieta Soares de Azevedo, que fora bibliotecária de Fausto de Figueiredo (possuidor de uma excelente colecção de retratos, entre os quais uma cópia do retrato de Camões por Fernão Gomes), e que dedicou o final da vida ao estudo exaustivo da iconografia de Camões, fazia, desde 1972, importantes e mesmo extraordinárias revelações acerca do retrato de Camões na prisão de Goa – o qual mostrava, antes de ser repintado por mão devota, o poeta como judeu piedoso, de tefilim colocados no braço esquerdo e na testa, tendo letras hebraicas no próprio corpo, sentado a uma mesa onde um diabinho o tenta a comer carne de porco…, mesa essa que estava, aliás, coberta de símbolos cujas interpretações herméticas nos convidam a incluir Camões no estranho círculo de relações do infante D. Luís, pai de D. António Prior do Crato, que gerou com uma cristã-nova…
Por outro lado, António Telmo, desde a publicação, em 1977, de História Secreta de Portugal, abriu novos caminhos para o esoterismo de Os Lusíadas e do seu autor. E confirmou-os com a conferência que proferiu no Palácio Foz, em 20 de Junho de 1980, sobre “O Segredo dos Lusíadas”.
Nesse mesmo ano, Fiama e António Telmo encontram-se várias vezes na sala de leitura da Biblioteca Nacional, onde ambos prosseguem as suas investigações – Fiama assiduamente (eu próprio me encontrei com ela por lá) e Telmo quando conseguia vir a Lisboa.
Estas três cartas foram escritas precisamente nesse local. A segunda não tem data mas tudo leva a crer que foi escrita imediatamente a seguir à primeira, como se a conversa entre os dois estudiosos prosseguisse por carta.
Na primeira, em que faz referência ao “Segredo dos Lusíadas”, Fiama sublinha que tudo o que António Telmo tem dito acerca dos Lusíadas é “vital” – ao contrário do que acontece hoje, em que os camoneanos fazem silêncio pesado sobre as contribuições de Telmo…
E avança com uma pista importantíssima: David Reubeni, o estranho príncipe guerreiro que vem a Portugal durante o reinado de D. João III, pedindo-lhe auxílio para libertar a Terra Santa da opressão dos turcos, seria de origem portuguesa, tendo Fiama encontrado esse nome entre judeus do Alentejo, no século XIV. Lembremo-nos que Reuben ou Ruben é o nome de uma das dez Tribos Perdidas (que “reaparece” no sonho do Bandarra: “E também vi a Ruben / com grão voz de muita gente, / o qual vinha mui contente / cantando, Jerusalém.”) David Reubeni causou grande alvoroço entre os cristãos-novos, que viam nele o Messias, sobretudo junto de Diogo Pires, escrivão da Casa Real, cristão-novo que decidiu assumir a sua identidade judaica como Salomon Molco ou Malco, tendo fugido para Salónica e depois para Roma, profetizando e convencendo o próprio Papa, que o protegeu; depois tentou converter o próprio Carlos V mas acabou na fogueira… No museu judaico de Praga ainda hoje se guardam “relíquias” deste português que tanto agitou o século XVI europeu, juntamente com David Reubeni (deste conservou-se um diário de viagem, que relata a sua passagem por Portugal). Para Fiama, Camões teria feito grande eco do objectivo maior de Reubeni.
Além de sublinhar que Camões teria feito distinção entre ismaelita e sarraceno, como os judeus faziam, Fiama considera que o suposto Cristianismo de Camões seria bastante duvidoso, encontrando nele vestígios de docetismo, de nestorianismo e de monofisismo – “heresias” condenadas pelos Padres da Igreja. E refere as profecias de Tomás ou Tomé sobre Portugal, citadas por Diogo do Couto (outro cristão-novo da época de Camões e que faz parte do mesmo labirinto).
Afirmando que os seus trabalhos e os de Telmo são complementares, girando em torno dos “Filhos da Luz”, ou seja, os Lusíadas, adianta ainda algo sobre as suas investigações em curso: a existência de uma possível cadeia iniciática na própria família de Camões.
Na segunda carta, faz alusão aos pontos de vista sufis que Telmo apresentou, assim como as influências de Dante e dos Fiéis d’Amor na lírica de Camões, em quem vê “a grande síntese de uma grande Idade”. Mas tudo isso está já patente nos Paineis de Nuno Gonçalves, segundo a sua visão.
Haveria ainda, afirma, que ver em Dante (e, portanto, em Camões) a influência decisiva da mística da Merkaba, leitura cabalística do sonho de Ezequiel. Uma pista para Telmo…
Quanto a “Os Lusíadas”, Fiama vê no poema uma meditação sobre Deus ou sobre os seus atributos.
Finalmente, na terceira carta, Fiama anuncia que já passou os olhos pelo novo livro de Telmo, “Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões”, que é publicado nesse ano de 1982. Mas o que mais lhe despertou a atenção foi a referência no livro aos irmãos José Hermano Saraiva e António José Saraiva – o primeiro, um “vigarista” pela utilização despudorada que faz das fontes, sem esquecer o desprezo por ele manifestado pelos trabalhos de investigação de Maria Antonieta Soares de Azevedo; o segundo, por ter sido protagonista de um lamentável episódio que acontecera ainda em 1980 e de que eu próprio fui testemunha (aliás, fui eu que relatei o acontecido à própria Fiama, em carta profundamente indignada…): nesse ano do centenário de Camões, o Centro Nacional de Cultura organizou uma sessão em que o assunto da conversa foi a temática dos artigos (as revelações, sublinhe-se) de Fiama. Muita gente bem pensante (intelectuais, eruditos) tinha ficado escandalizada com o que Fiama ia trazendo a luz, sempre a partir da hermetêutica das fontes do passado. Como é sabido, ontem como hoje, para muitos, ser judeu, cristão-novo ou seu descendente é considerado uma mancha (já Cervantes colocava o seu Quixote naquele lugar de La Mancha…) – e quando, há poucos anos, foi publicado o “Dicionário Sefaradi de Sobrenomes” no Brasil e alguns exemplares chegaram a Portugal sei de quem temeu encontrar ali o seu apelido de família… Nessa sessão tristemente memorável no CNC participaram António José Saraiva (o tal que “descobriu” que os judeus em Portugal tinham sido gerados pela Inquisição… tese contra a qual se levantou então a voz autorizada de I. S. Révah) e Eduardo Lourenço. Fiama dá conta na sua carta do eco do que então se passou, através do meu relato. E que foi realmente inacreditável: um autêntico auto-de-fé moderno condenando os trabalhos de Fiama e ela própria. Ao ponto de eu próprio (que estava ali como repórter do meu jornal) ser obrigado a interpelar aqueles sujeitos sugerindo que a única explicação para o que se passava ali ser o facto de nos encontrarmos tão perto do local onde outrora existira a sede da Inquisição… De facto, tal como no século XVI, pensar de maneira diferente, ousar seguir por outros caminhos que os próprios textos apontam, retirar Camões da visão oficial – consagrada, aliás, pelos sucessivos regimes –, paga-se muito caro. Ainda hoje. Daí o sistemático apagamento dos nomes de Fiama Hasse Pais Brandão, de Maria Antonieta Soares de Azevedo e de António Telmo nos estudos camoneanos.
Adiante. Na sua terceira carta, Fiama inclui ainda uma cópia da nota que tinha enviado para o “Dicionário de Literatura” e em que destacava os pontos de vista de António Telmo sobre Camões apresentados em História Secreta de Portugal e em “O Segredo dos Lusíadas”.
Resumindo, o que estas três cartas nos apresentam é o testemunho de uma evidente admiração da poetisa pelo filósofo (e vice-versa, como sabemos pelos textos de Telmo), a troca de visões e interpretações sobre aquilo que era a sua busca comum: a desocultação do verdadeiro Camões.
Nota à margem destas cartas: no final da sua vida, Maria Antonieta Soares de Azevedo tinha nas suas mãos, com vista a uma publicação que nunca se fez, uma cópia manuscrita de “Os Lusíadas” com variantes judaizantes. O que nos leva a perguntar se não seria uma cópia do original, antes da Inquisição obrigar Camões a corrigir o texto para a sua publicação ser oficialmente autorizada…