SINAIS DE FOGO – por Soares Novais

 Soares Novais - II

Há muito que combato o lixo televisivo dos canais generalistas e o Pensamento Único (PU) dos canais por cabo com a RTP2.

É com a RTP2 que me reencontro com Alexandre O’Neill,  Herberto Hélder, Mário de Sá Carneiro, Cesariny, Jorge de Sousa Braga, Luís Pacheco, Mário-Henrique Leiria, Sidónio Muralha, Pessoa e os seus heterónimos, por exemplo.

Faço-o à boleia do “Literatura Agora”, excelentemente apresentado pelo actor Pedro Lamares.  “Literatura Agora” é um magazine cultural, produzido pela “Até ao Fim do Mundo”, recheado de estórias e boas palavras.

Palavras que me levam ao reencontro com o melhor que se fez e faz na Literatura portuguesa ao arrepio da moda e de poderosas máquinas de propaganda que transformam autores medíocres em autores de sucesso. De um sucesso tão espontâneo como os Pudim Flan…

Além do mais, enquanto oiço as palavras sábias de O’Neill,  Cesariny, Herberto Hélder, Sidónio Muralha ou Brecht evito as baboseiras de Marcelo, Marques Mendes, Pedro Santana Lopes, Vitorino e outros que tais.  Ou seja: também cuido da minha sanidade mental.

Mas a RTP2 também tem mais. Tem “Palcos Agora”, apresentado por Filomena Cautela; a excelente série documental “O Povo que Ainda Canta”, de Tiago Pires, sobre a música tradicional e popular do nosso país; e tem a “Visita Guiada” de Paula Moura Pinheiro, que nos leva ao reencontro com o nosso Património Cultural.

 Estes e outros programas justificam o bom serviço público da RTP2 a que se podem juntar “Borgen”, uma série ficcional sobre a política dinamarquesa, que se pode rever aos domingos, a partir das 22 horas; ou a actual “Engrenages” (mal traduzida para “Um crime, um castigo”), que nos dá a conhecer o dia-a-dia de uma equipa de polícia que combate o crime organizado na cidade de Paris e nos revela  um  juiz  sério – Francois Roban –  que é malquisto por uma máquina recheada de juízes e magistrados mais interessados em jogos de poder e influência do que em administrar a Justiça. Tal como cá.

É, pois, graças à RTP2 que o comando da minha televisão deixou de funcionar como metralha. Como metralha contra o lixo e o PU.

A tempo: “Não, amigos, render o dr. Cavaco Silva pelo dr. Cavaco Rio é manter o sistema tal qual ele é: banal, equívoco, medíocre. O dr. Passos deseja isso, mas os portugueses vão dizer: Não, obrigado. Para pior já basta assim”

Foi assim que terminei a minha crónica do dia 10 deste mês. O “Jornal da Noite” da SIC confirmou na sexta-feira a preferência do dr. Coelho pelo dr. Rio.

 

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