O título “E Deus criou o mundo”, é nome de programa de rádio. Palavra falada, portanto, sem recurso a imagem. A palavra que entra bem na mente, até no silêncio do quarto. Ou na viagem solitária de um carro, na estrada. Ou nos fones que tapam os ouvidos ao som ambiente, porque a realidade que nos rodeia é demasiado cruel, para ser escutada em directo. E este programa radiofónico nunca fala da realidade que nos cerca neste nosso planeta global. So de doutrina, segundo os códigos ideológicos de cada um dos três convidados residentes. O programa, por mais estranho que possa parecer, tão confessional e restringido a três membros de outras tantas religiões, sempre os mesmos, acontece na Rádio pública, Antena 1 e Antena 2. É moderado por Henrique Mota, antigo director de informação da Rádio Renascença.
Coisa estranha, não lhes parece? Deixa a Renascença, emissora católica portuguesa, para se “infiltrar” na Rádio pública, propriedade de um Estado constitucionalmente laico, mas quase tão católico, quanto a Renascença, emissora católica. Trocou as ondas hertesianas, mortalmente envenenadas da ideologia-teologia do cristianismo financeiro que sopra na Renascença, nas universidades confessionais, nas sinagogas, nas igrejas cristãs, todas anti-Jesus e anti-Igreja-Movimento de Jesus, e foi meter-se na Rádio pública onde subrepticiamente dá passagem ao sopro mortal da mesma ideologia-teologia financeira. Sem que as, os ouvintes, de uma maneira geral, dêem por nada. Fica assim provado que, mais de 100 anos de República, à mistura com mais de 40 anos de Abril 74, as populações portuguesas continuam mentalmente reféns, numa espécie de prolongada idade-média reciclada. Sem que ninguém se escandalize. Ou quase ninguém. Felizmente, no Blog “A nossa Rádio – Ouvintes da Rádio pública com opinião”, o cidadão Álvaro José Ferreira, entre outros, escandaliza-se e protesta. Não sabiam? Pois é. Só sabemos de futebol, de novelas, de debates televisivos sobre crimes de faca e alguidar.
Para além do moderador do programa, há mais três convidados residentes. Prestem bem atenção quem são eles e qual o universo ideologico de cada um. Três homens. Nenhuma mulher! Você disse, Mulher? Coisa mais descabida para a ideologia religiosa de cada um deles. Eis os nomes, para que conste: Isaac Assor, judeu, destacado dirigente da sinagoga de Lisboa, Pedro Gil, católico, director do Gabinete de Imprensa da Opus Dei em Portugal, Adul Madgi Vakil, muçulmano, ex-presidente do Banco Efisa e do BPN. São a santíssima trindade, em três falas distintas, todas envenenadas. Em comum, têm a Bíblia, em três versões, a judaica, a cristã católica, a islâmica, já que o Alcorão mais não é do que a Bíblia judeo-cristã reciclada-adaptada ao mundo árabe, sob a batuta, pelo menos no dizer da tradição muçulmana, de Maomé, analfabeto. A quem o anjo Gabriel ditou, em sucessivos encontros, o Alcorão. Continuou analfabeto, depois do Alcorão pronto, mas foi capaz de escrever o que lhe foi ditado pelo anjo Gabriel!!!Acredite quem quiser.
O programa é semanal. È preciso ouvi-lo, pelo menos uma vez, para crer. A aberração dos conteúdos é manifesta. Chega a ser chocante. Nenhum coincide com os outros dois. Não dialogam. Comunicam. Como quem lê comunicados. Limitam-se quase sempre a reproduzir o que, sobre o assunto levantado pelo coordenador, dizem os respectivos livros, à excepção do católico que também acrescenta citações do papa de turno. O papa Francisco é mais perturbador para os gostos de um católico fã da Emissora católica, por isso é citado menos vezes.
Pode dizer-se que tudo é mau no programa. Tudo chega envenenado aos ouvintes da Antena 1 e 2. A começar pelo nome dado ao programa, “ Deus criou o mundo”. De que Deus é que eles estão falar? Cada um do seu, certamente. O Deus da Humanidade não será. Cada religião tem o seu Deus, nenhum verdadeiro. Porque a Deus – sabemo-lo por Jesus e pagou caro esta sua revelação – nunca ninguém O viu. Por isso, ninguém O conhece. O que cada religião conhece, é criado, projectado pelos seus fundadores. Serve às mil maravilhas para (en)cobrir os seus crimes, as suas mentiras, os seus roubos. Todos os crentes são comidos e não sabem. São roubados e gostam. Ai de quem pretenda esclarecê-los. Zangam-se e são capazes até de matar. Não foram os chefes das religiões que mataram Jesus? Quem crê Deus que nunca ninguém viu, o Deus que Jesus crê, nunca será capaz de afirmar, “E Deus criou o mundo”. Sobretudo, quando a Ciência, em franco desenvolvimento neste nosso tempo, está habilitada a dar outras respostas que não essa que as religiões do Livro dão. Todas mentirosas. Se não gostarem do adjectivo “mentirosas”, podem trocar por outro e dizer, “míticas”. Respostas míticas que, como sabemos têm o condão de negar a realidade e de nos impedirem de sermos surpreendidos por ela. Por isso, a Antena 1 e a Antena 2, do Estado mais católico que Renascença, emissora católica portuguesa semanalmente põe no ar. Sem que ninguém ou quase se escandalize.