EDITORIAL – Singularidades de uma rapariga loura

Imagem2

De acordo com um estudo do Pew Research Centers,55% dos britânicos quer continuar na EU. Uma sondagem anterior dera a maioria aos que queriam sair . Tal como a jovem pela qual Macário se apaixona, no conto de Eça de Queirós e no filme de Manoel de Oliveira, a Grã-Bretanha é um estado europeu com muitas singularidades. É natural, pois todas as nações possuem hábitos e costumes próprios. Para consumo interno cada país tem direito ás suas singularidades. E esta é a mola real da indústria turística, Fossem as nações todas iguais e não mereceria a pena gastar dinheiro a viajar. O problema é quando se institui o que é singular como molde para o plural.

A formação União Europeia corresponde, na carta de intenções, a uma necessidade dos estados europeus de evitarem futuros conflitos armados como as duas guerras que ensombraram a primeira metade do século XX. Em 1950, dominados pela guerra fria entre o bloco de Leste e o Ocidente, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço iniciou a união económica e politica – Os seis países fundadores foram a Alemanha, a Bélgica, a França, a Itália, o Luxemburgo e os Países Baixos. Em 1957, o Tratado de Roma institui a Comunidade Económica Europeia (CEE) ou “Mercado Comum”. Só em 1973 o Reino Unido e a Dinamarca, a entram na EU. 23 anos depois do lançamento da ideia – não revela grande pressa. E com as singularidades britânicas esfumam-se todas as veleidades de dar à União algum conteúdo que não seja do foro da economia. Se Portugal ou a Grécia quisessem manter a sua moeda, se nas suas estradas e vias férreas a circulação se fizesse ao contrário do que é norma naquelas ilhas, será que poderiam permanecer na EU?

Os britânicos exibem os seus certificados de singularidade negativa (?), com um orgulho que ronda a mediocridade mental colectiva, a sua monarquia anacrónica em que Magna Carta, pompa e circunstância, rendição da guarda, se misturam com situações de adultério no seio da família real, não impedindo a vulgaridade boçal das reais criaturas que se formem gigantescas filas de súbditos, chova ou faça sol, ou melhor chova a cântaros ou chuvisque,para ver um bebé real ou para qualquer outra trivialidade que ocorra no seio dos Windsor. Em Portugal, a impopularidade do rei D. Carlos terminou como se sabe e o reinado de seu filho ditou o fim da instituição monárquica em 1910. Os britânicos nunca fariam uma coisa destas. Mas parece que estão a querer conciliar o seu estado que dominou o mundo no século XIX e que hoje é uma espécie de pavilhão de exposições dos Estados Unidos na Europa, mas dando a impressão de que o planeta continua a ser governado a partir de Buckingham. Ou da Madame Tussauds? Querem ficar na UE? E isso é bom? Para quem?

1 Comment

  1. Amigos de Peniche , Rule Britania , Lion and the Unicorn , vicios privados e publicas virtudes e, lasta but not least , só faz falta quem quer estar. Boa Viagem.

Leave a Reply