Porque é que a diminuição da população em Espanha é um problema económico? – por Edward Hugh III

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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(continuação)

Os dados actuais que temos para Espanha mostram que a parte da população envelhecida, 65 anos e superior , é actualmente de cerca de 17% (ou seja cerca de 7 milhões de pessoas, Instituto Nacional de Estadística-INE, 2008), dos quais aproximadamente 25% são pessoas para cima dos oitenta anos. Além disso, as projecções do INE sugerem que as pessoas acima dos 65 anos irão perfazer mais de 30% da população em 2050 (quase 13 milhões de pessoas) e o número dos acima de oitenta ultrapassará os 4 milhões, representando mais de 30% da população total das pessoas acima dos 65 anos .

Estudos internacionais produziram estimativas ainda mais pessimistas e as projecções das Nações Unidas são de que a Espanha será o país de população mias envelhecida no mundo em 2050, com 40% de sua população com idade acima de 60. Neste momento, os país mais envelhecidos da Europa são a Alemanha e a Itália, mas a Espanha está a alcança-los e muito rapidamente.

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Nas suas mais recentes projecções a longo prazo da população em Espanha, o INE sugere que a população da Espanha cairia para 41,6 milhões por volta de 2052 (uma queda de 10% sobre os níveis actuais). Enquanto o número das pessoas com mais de 80 anos aumenta drasticamente o número de pessoas abaixo dos 15 estima-se cair para apenas mais 5 milhões, uma queda de cerca de 25%.

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Mas essas projecções de longo prazo só nos dão uma indicação do que pode acontecer, dado que pode haver grandes mudanças na tendência. Os movimentos de populações são governados por dois factores: a diferença de nascimentos/falecimentos e pela migração líquida. Desde que não nos parece provável ver qualquer movimento substancial na taxa de natalidade, a migração torna-se a variável crítica. E de que depende a migração? Evidentemente, do mercado de trabalho. Eis porque é que esta questão é tão importante.

Neste momento a taxa de migração de saída de Espanha parece estar a diminuir tanto quanto a economia começa a criar postos de trabalho. Mas de quanto será estável e sustentável esta tendência? Eis porque é que a questão de se saber se a Espanha assume ou não suficientes medidas para garantir uma melhor taxa de crescimento a longo termo (uma perspectiva de crescimento que se mova para além de se andar a apanhar a fruta das zonas baixas da recessão) torna-se importante. A curto prazo, as projecções de população publicadas em Novembro de 2013 pelo Instituto de Estatísticas, a população da Espanha davam como previsão uma queda de 2,6 milhões (5,6% da população presente) na década de 2013-2023. A maior queda de população deve ficar na faixa etária de 20 a 49, que é esperado cair cerca de 4,7 milhões (ou 22,7%).

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Estes são números dramáticos, mas deve-se sublinhar que eles são muito sensíveis às taxas de emigração. De momento, a melhoria do mercado de trabalho significa que a saída de pessoas (embora permaneça grande) estará a diminuir , embora mais uma vez se deva referir que temos muito pouco conhecimento sobre as verdadeiras taxas de migração de jovens espanhóis de boa formação.

Qualquer que seja a maneira com que se olhe para este   estado de coisas, ele é altamente indesejável e levanta questões sérias sobre a sustentabilidade a médio prazo do relançamento actual da economia de Espanha. Se o nível de desemprego é “inaceitávelmente” elevado, isto é em parte também devido aos danos que fará sobre as perspectivas económicas da Espanha a longo prazo.

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Mas não voltar todos eles ? Esta é a resposta que recebo sucessivamente . Esse resultado está longe de se poder tomar como garantido, mesmo se é isso o que os legisladores assumem implicitamente. Como estou a tentar sugerir, se aqueles que estão a sair virão ou não isso depende do estado do mercado de trabalho espanhol e apesar do facto de que agora estão a ser criados postos de trabalho a dimensão do problema significa que a situação no terreno continuará a ser difícil para muitos, até muitos anos depois.

Uma certa referência a alguns estudos que se estão a fazer, como se mostra no gráfico abaixo realizada por especialistas de recrutamento Hays, muito destes dizem-nos que uma grande maioria das pessoas que deixam o pais desejam regressar. Mas querer voltar não é o mesmo que ser capaz de voltar. Pouca gente quer deixar os seus países de origem e as suas famílias para começar uma nova vida numa terra distante, mas muitos estão agora a ser forçados a fazê-lo. Muitos não se vêem inicialmente como emigrantes, mas com o passar do tempo, há uma possibilidade crescente que isto será exactamente no que eles se vão tornar: emigrantes.

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(continua)

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