NA HORA FINAL, UM APELO À SANIDADE ECONÓMICA E AO HUMANISMO – abaixo-assinado por Joseph Stiglitz, Thomas Piketty, Massimo D’Alema, Mario Pianta e outros, saído no Financial Times

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

mapagrecia6

 

NA HORA FINAL, UM APELO À SANIDADE ECONÓMICA E AO HUMANISMO

In the final hour, a plea for economic sanity and humanity – um texto publicado pelo Financial Times

Agradecemos a Mario Pianta o envio do texto original.

 

O futuro da União Europeia está em jogo nas negociações entre a Grécia e as suas instituições credoras, agora perto do seu clímax. Para evitar o fracasso, serão necessárias concessões a serem feitas por  ambos os lados. Pelo lado da União Europeia, é necessário que haja   tolerância e apoio financeiro para promover a reforma estrutural e a recuperação económica e para preservar a integridade da zona euro. Pelo lado da Grécia, é necessário assumir uma determinação sem equívocos para mostrar que, embora seja contra a austeridade, é a favor da reforma e quer desempenhar um papel positivo na UE.

Numa carta enviada ao FT, em Janeiro passado, alguns de nós escrevemos:  Acreditamos que é importante fazer a distinção entre  reformas e a austeridade; condenar a austeridade não implica ser anti-reformas. Seis meses depois, verificamos, consternados que a austeridade está a minar as principais reformas de Syriza, nas quais os dirigentes europeus deveriam  certamente estar a colaborar com o governo grego: em particular para enfrentar o grave problema da evasão fiscal e da corrupção.

A austeridade reduz drasticamente as receitas da reforma fiscal  e restringe o espaço de manobra para as mudanças a efectuar de modo a que se venha a ter uma Administração pública responsável e socialmente eficiente. E as concessões constantes exigidas ao governo significam que com elas Syriza corre o risco de perder o apoio político e, portanto, a sua capacidade para levar a cabo um programa de reforma que levará a Grécia a sair da crise. É errado exigir à  Grécia que se empenhe na aplicação de  um programa antigo que já mostrou comprovadamente que falhou, que foi rejeitada pelos eleitores gregos, e que um grande número de economistas (incluindo nós mesmos) desde  o princípio acreditam que está errado.

Claramente, é necessário que se  estabeleça  um  acordo revisto e feito  em termos de  longo prazo com as instituições credoras: de outro modo, o incumprimento é inevitável, impondo grandes riscos para as economias da Europa e do mundo, e mesmo para o projecto europeu que era suposto ser  fortalecido pela zona euro.

Syriza é a única esperança para a legitimidade na Grécia. A incapacidade em se  alcançar um compromisso irá colocar a democracia em perigo e daí resultarão  problemas e comportamentos  muito mais radicais  e disfuncionais, fundamentalmente hostis à própria  UE.

Considere-se, por outro lado, uma rápida mudança para um programa positivo para a retoma da economia grega (e na UE como um todo), usando a enormíssima  força financeira da zona euro para promover o investimento, resgatar  os jovens europeus da situação de desemprego em massa com medidas que aumentem  o emprego hoje e o crescimento no futuro. Isto poderia quer transformar os resultados económicos da economia europeia  quer ainda torná-la, de novo, uma fonte de orgulho para os cidadãos europeus.

A forma como a Grécia for  tratada irá ser considerada como  uma mensagem para todos os seus parceiros da zona euro. Tal como o plano Marshall, que esta mensagem seja de esperança e não de desespero.

Assinam:

Prof Joseph Stiglitz Columbia University; Nobel Prize winner of Economics

Prof Thomas Piketty Paris School of Economics

Massimo D’Alema Former prime minister of Italy; president of FEPS (Foundation of European Progressive Studies)

Prof Stephany Griffith-Jones IPD Columbia University

Prof Mary Kaldor London School of Economics

Hilary Wainwright Transnational Institute, Amsterdam

Prof Marcus Miller Warwick University

Prof John Grahl Middlesex University, London

Michael Burke Economists Against Austerity

Prof Panicos Demetriadis University of Leicester

Prof Trevor Evans Berlin School of Economics and Law

Prof Jamie Galbraith Dept of Government, University of Texas

Prof Gustav A Horn Macroeconomic Policy Institute (IMK)

Prof Andras Inotai Emeritus and former Director, Institute for World Economics, Budapest

Sir Richard Jolly Honorary Professor, IDS, Sussex University

Prof Inge Kaul Adjunct professor, Hertie School of Governance, Berlin

Neil MacKinnon VTB Capital

Prof Jacques Mazier University of Paris

Dr Robin Murray London School of Economics

Prof Jose Antonio Ocampo Columbia University

Prof Dominique Plihon University of Paris

Avinash Persaud Peterson Institute for International Economics

Prof Mario Pianta University of Urbino

Helmut Reisen Shifting Wealth Consultancy

Dr Ernst Stetter Secretary General, FEPS (Foundation fro European Progressive Studies)

Prof Simon Wren-Lewis Merton College Oxford

________

Ver em:

http://www.ft.com/intl/cms/s/0/a8e1e728-0b05-11e5-98d3-00144feabdc0.html#axzz3cP092Q1z

 

Leave a Reply