Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
NA HORA FINAL, UM APELO À SANIDADE ECONÓMICA E AO HUMANISMO
In the final hour, a plea for economic sanity and humanity – um texto publicado pelo Financial Times
Agradecemos a Mario Pianta o envio do texto original.
O futuro da União Europeia está em jogo nas negociações entre a Grécia e as suas instituições credoras, agora perto do seu clímax. Para evitar o fracasso, serão necessárias concessões a serem feitas por ambos os lados. Pelo lado da União Europeia, é necessário que haja tolerância e apoio financeiro para promover a reforma estrutural e a recuperação económica e para preservar a integridade da zona euro. Pelo lado da Grécia, é necessário assumir uma determinação sem equívocos para mostrar que, embora seja contra a austeridade, é a favor da reforma e quer desempenhar um papel positivo na UE.
Numa carta enviada ao FT, em Janeiro passado, alguns de nós escrevemos: Acreditamos que é importante fazer a distinção entre reformas e a austeridade; condenar a austeridade não implica ser anti-reformas. Seis meses depois, verificamos, consternados que a austeridade está a minar as principais reformas de Syriza, nas quais os dirigentes europeus deveriam certamente estar a colaborar com o governo grego: em particular para enfrentar o grave problema da evasão fiscal e da corrupção.
A austeridade reduz drasticamente as receitas da reforma fiscal e restringe o espaço de manobra para as mudanças a efectuar de modo a que se venha a ter uma Administração pública responsável e socialmente eficiente. E as concessões constantes exigidas ao governo significam que com elas Syriza corre o risco de perder o apoio político e, portanto, a sua capacidade para levar a cabo um programa de reforma que levará a Grécia a sair da crise. É errado exigir à Grécia que se empenhe na aplicação de um programa antigo que já mostrou comprovadamente que falhou, que foi rejeitada pelos eleitores gregos, e que um grande número de economistas (incluindo nós mesmos) desde o princípio acreditam que está errado.
Claramente, é necessário que se estabeleça um acordo revisto e feito em termos de longo prazo com as instituições credoras: de outro modo, o incumprimento é inevitável, impondo grandes riscos para as economias da Europa e do mundo, e mesmo para o projecto europeu que era suposto ser fortalecido pela zona euro.
Syriza é a única esperança para a legitimidade na Grécia. A incapacidade em se alcançar um compromisso irá colocar a democracia em perigo e daí resultarão problemas e comportamentos muito mais radicais e disfuncionais, fundamentalmente hostis à própria UE.
Considere-se, por outro lado, uma rápida mudança para um programa positivo para a retoma da economia grega (e na UE como um todo), usando a enormíssima força financeira da zona euro para promover o investimento, resgatar os jovens europeus da situação de desemprego em massa com medidas que aumentem o emprego hoje e o crescimento no futuro. Isto poderia quer transformar os resultados económicos da economia europeia quer ainda torná-la, de novo, uma fonte de orgulho para os cidadãos europeus.
A forma como a Grécia for tratada irá ser considerada como uma mensagem para todos os seus parceiros da zona euro. Tal como o plano Marshall, que esta mensagem seja de esperança e não de desespero.
Assinam:
Prof Joseph Stiglitz Columbia University; Nobel Prize winner of Economics
Prof Thomas Piketty Paris School of Economics
Massimo D’Alema Former prime minister of Italy; president of FEPS (Foundation of European Progressive Studies)
Prof Stephany Griffith-Jones IPD Columbia University
Prof Mary Kaldor London School of Economics
Hilary Wainwright Transnational Institute, Amsterdam
Prof Marcus Miller Warwick University
Prof John Grahl Middlesex University, London
Michael Burke Economists Against Austerity
Prof Panicos Demetriadis University of Leicester
Prof Trevor Evans Berlin School of Economics and Law
Prof Jamie Galbraith Dept of Government, University of Texas
Prof Gustav A Horn Macroeconomic Policy Institute (IMK)
Prof Andras Inotai Emeritus and former Director, Institute for World Economics, Budapest
Sir Richard Jolly Honorary Professor, IDS, Sussex University
Prof Inge Kaul Adjunct professor, Hertie School of Governance, Berlin
Neil MacKinnon VTB Capital
Prof Jacques Mazier University of Paris
Dr Robin Murray London School of Economics
Prof Jose Antonio Ocampo Columbia University
Prof Dominique Plihon University of Paris
Avinash Persaud Peterson Institute for International Economics
Prof Mario Pianta University of Urbino
Helmut Reisen Shifting Wealth Consultancy
Dr Ernst Stetter Secretary General, FEPS (Foundation fro European Progressive Studies)
Prof Simon Wren-Lewis Merton College Oxford
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Ver em:
http://www.ft.com/intl/cms/s/0/a8e1e728-0b05-11e5-98d3-00144feabdc0.html#axzz3cP092Q1z


