QUE PORTUGAL, O DO 10 DE JUNHO DE CADA ANO?
Se há momentos em que o institucional esmaga as populações do país, o dia de Portugal é, porventura, o que leva a palma. É o dia em que os todos os maiores figurões do Estado, um estranho que nos come até os ossos, aparecem em todo o seu esplendor. Não são seres humanos, filhos de mulher. São filhos do poder. No chocante dizer teológico, o de Jesus Nazaré, são filhos da puta (= o Poder-deus). As respectivas mães, que ainda permaneçam visíveis entre nós, devem olhar para aqueles figurões e interrogar-se, entre o espanto e o absurdo, Mas não é este o menino que dei à luz, depois de 9 meses de intimidade, a mais completa? Como pode, então, estar ali tão longe de mim, dos seus companheiros de infância? O que aconteceu ao meu filho, que o levou a afastar-se progressivamente de mim, das pessoas, dos afectos, da realidade? O que faz ele, ali, naquele palanque, distante de todos os que passam perfilados diante dele, sem que ele os veja, sem que eles o vejam? Mas que liturgia político-religiosa é esta que mata os afectos, cria abismos instransponíves entre os seres humanos que, assim, deixam de o ser, para se tornarem, alguns deles, tiranos de todos os mais, reduzidos à condição de súbditos, fardados ou não? E as populações do país, onde estão? Não são todas converidas em figurantes duma encenação que mata a realidade, a vida, a relação, a maiêutica? A verdade é que ninguém tem voz e vez. Ninguém é! Concretamente, neste 10 de Junho 2015, os únicos que ousaram ter voz e vez, foram violentamente reprimidos pela Polícia de choque, cujo equipamento, qual máscara, esmaga os seres humanos que o envergam. E o que disse o PR, comandante supremo das Forças Armadas? Nada, senão o discurso previamente escrito sabe-se lá por que assessor. Então, depois de anos e anos como PM e PR a levar o país para o abismo, vem, agora, apelar às vítimas das suas práticas institucionais que levantem a cabeça e olhem o futuro com confiança? Nas pode haver futuro sem presente, senhor presidente?!
12 Junho 2015

