O governo Passos/Portas, anteontem, tomou a decisão de vender 61 % da TAP por um preço simbólico de 10 milhões de euros, uma quantia enorme para um indivíduo ou uma família normal, mas insignificante para um estado. A grande comunicação social fala em quantias como 354 ou 488 milhões, obviamente incluindo o capital que os compradores se comprometem a investir na empresa, e cujos resultados reverterão a seu favor. A manutenção da sede em Portugal e das rotas estratégicas fica assegurada apenas por 10 anos.
A decisão de vender apenas 61 % deve-se provavelmente a querer fazer com que o PS, que tem defendido a manutenção pelo estado da maioria do capital da empresa, aceite melhor a situação. Os 39 % que ficam são menos de metade, mas assim talvez fique mais fácil… Entretanto o governo pretende conseguir assinar o contrato até Junho. Antes das férias e das eleições, claro. Não vá a coisa correr de maneira diferente da pretendida… Mas há outras questões que têm sido menos abordadas. A TAP é privatizada com mil milhões de euros de dívida, não cobertos pelas tais verbas que os compradores se comprometem a investir, e essa dívida de mil milhões tem o aval do estado. Se não houver uma renegociação, uma revisão deste aspecto, há uma probabilidade nada pequena de a “venda” se tornar numa oferta bastante vultuosa, com mais um encargo para os portugueses. Outra questão é a de qual será a posição do governo do Brasil em relação a esta operação, na medida em que as companhias de aviação de Neeleman, um dos compradores, têm a sua sede no país, e a banca brasileira terá apoiado esta compra. É lógico prever que o futuro da TAP passará por uma integração das suas acções com as das outras companhias do empresário brasileiro-americano.
O governo Passos/Portas mostrou claramente a sua pressa em concluir a venda da TAP. E também não será exagerado prever que outras privatizações se vão seguir, nomeadamente no sector dos transportes, nos próximos meses, enquanto se mantiver no poder. As privatizações, tal como outras medidas, têm sido usadas para fins políticos, ao nível nacional e internacional. Mas nada aponta no sentido de que tenham sido benéficas para o país.
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